quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Não só podemos como fomos melhores

Teve gente estranhando porque eu elogiei o resultado final da olimpíada. Uns disseram que era fuga da realidade, outros que me rendi ao ufanismo farofeiro e teve até petista, veja que coisa, dizendo que "queimei a língua", como se não fossem eles a razão da coisa não ter dado certo por completo.
Sim, porque não retiro nada do que disse antes. O Rio é uma cidade favelizada, caótica, suja e sem estrutura para dar um mínimo de conforto ao cidadão.
As lagoas da Barra que não estão mortas, estão podres, a enseada de Botafogo é um esgoto a céu aberto, os rios são valões, as praias perigosas e cheias de lixo.

A opção pelo BRT e não por um transporte de massa e a ida do metrô até a Barra ao invés de outros bairros onde seria mais necessário foi um erro e os ônibus continuam péssimos.
Fora as calçadas mal cuidadas, desordem urbana, custo de vida caro para qualidade de vida baixa, ou seja, o Rio de Janeiro de sempre.
Só que por alguma mágica olímpica e operações de maquiagem de última hora, a cidade conseguiu superar, ainda que momentaneamente, alguns dos seus problemas.
Onde moro vi calçadas e canteiros sendo reparados, ruas varridas e policiadas, coleta de lixo regular.
Metrô, trens e ônibus diminuíram seus intervalos, deixando de circular como latas de sardinha, locais de competição ficaram prontos e se mantiveram limpos, parecia que eu tinha viajado para outra cidade a passeio.
Isso não quer dizer que virei entusiasta desse negócio de cidade maravilhosa ou que passei a enxergar o Brasil como um gigante prestes a se levantar.
Nossos problemas estão aí e o noticiário já do dia seguinte ao encerramento da olimpíada não nos deixa esquecer.
Mas o que se provou é que interrompendo o despejo de esgoto - ainda que através do fechamento de comportas e acúmulo do material, mas imagine se tudo fosse coletado e tratado - o mar e as lagoas se limpam em poucos dias. É que cuidando do mobiliário urbano e conservando as ruas, a cidade fica menos inóspita.
Provou-se que, cobrando, as concessionárias de transporte público podem oferecer um serviço menos pior.
A lição que fica é que não somos incapazes, não é nosso destino inapelável viver mal e não existe problema sem solução.
O que necessitamos é de gente que tenha por todos nós o mesmo respeito e preocupação que tiveram com as delegações olímpicas e turistas, e nos tratem o tempo todo como se precisassem tanto da nossa aprovação quanto precisaram da aprovação do resto do mundo.
Mudar de idéia não é vergonha, vergonha é confundir teimosia com coerência. É isso que faz até hoje existir gente que defende o PT ou que acha que voto nulo é protesto, por exemplo.
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