sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A Veja e o direito de resposta


A capa cretina - e mistificadora - da Veja mostrando o candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, numa foto sendo fichado pela polícia, insinuando que este teria sido preso mereceu direito de resposta concedido pela justiça ao candidato.

E ainda que eu tenha achado a capa em si e o objetivo desta nauseante, acho que esta decisão sumária da justiça não é apenas um, mas uns 10 passos atrás dados pela democracia brasileira, já tão atacada pela fossa em que o PT transformou a política, gerando essa desconexão entre representados e representantes.

Ficam aqui três observações que servem como resumo dessa história toda:

1) Esta capa - histórica, inusitada e infame - é o resultado de uma lei autoritária que estimula a auto-censura e aproxima o Brasil perigosamente da Venezuela.

2) Nada que seja defendido ao mesmo tempo por Roberto Requião, Paulo Henrique Amorim e o PT - como foi o caso desta absurda lei - pode ser bom para o resto do Brasil que preste.

3) "Destrua uma revista em poucos meses, pergunte-me como". André Petry.

Que fique claro: a imprensa não deve jamais ficar impune quando difama alguém. O direito de resposta deve der proporcional ao destaque dado à ofensa. Mas não assim. Não sei ainda bem como, mas sei que assim não será bom para ninguém.

Atualização: a justiça suspendeu a decisão na tarde de hoje (20/10/2016), o que não torna nada disso nem um pouco menos sério.
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