sábado, 8 de outubro de 2016

Eduardo Paes pode ser muito mais inteligente do que você pensa

Você já pensou na hipótese do prefeito Eduardo Paes não ser tão fanfarrão e péssimo estrategista como parece, mas o contrário?
Outro dia mesmo disse que ele precisava fazer uma travessia marítima, mas ao invés de um bote escolheu um carrinho de mão cheio de chumbo, que foi seu secretário de governo, Pedro Paulo.
A sociedade atual permite e tolera quase tudo, mas violência doméstica está fora desse quase. Acusado de espancar sua ex-esposa, Pedro Paulo passou a campanha sendo espancado pelos adversários, que levantavam o tema fosse qual fosse o assunto, desde pavimentação de ruas até o legado olímpico.

Por que então Eduardo Paes insistiu com esse candidato, podendo lançar qualquer outra opção, já que seu governo tem uma boa avaliação?
Meu palpite: porque ele quis perder.
Como não poderia deixar de lançar um candidato à sua sucessão sem que isso levantasse suspeitas sobre a saúde financeira e administrativa do município, que ele jura ser a melhor, Paes tratou de lançar o pior candidato possível.
Todo mundo que chegou no Rio de Janeiro há até 10 minutos sabe que aquela gastança olímpica só pode ter deixado para trás uma dívida olímpica. Aconteceu o mesmo com o estado depois da eleição do governador Pezão e é questão de pouco tempo para acontecer algo parecido com o município.
Isso porque ainda que não quebre, aquele nível de gastos públicos e obras grandiosas é insustentável. Não há mais nem dinheiro e nem um evento global que justifiquem tais montantes.
E o próximo prefeito terá que administrar dívidas, assuntos menores como tapar buracos nas ruas e recolher lixo e terá muito pouca fita de inauguração para cortar. Seu governo não foi uma maravilha, mas fez bastante coisa por toda a cidade. E muita coisa boa, sim.
É sabido que Paes deseja ser governador. E é sabido o que péssimos governos de criaturas podem fazer com a carreira política dos seus criadores. Paes assim matou vários coelhos com uma só jogada.
Apresentou um candidato à sua sucessão que obteve uma votação apenas suficiente para não passar vergonha, perdeu não pelos defeitos do seu governo mas pelos defeitos do candidato e se posicionou para criticar à vontade o próximo prefeito, que certamente terá bem menos realizações para apresentar do que ele teve.
Covenhamos, se for isso - e parece muito que é - de "paespalho" ele não tem nada.
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