sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O PT-cover

Uma guerra santa acontece neste momento no Rio de Janeiro. Na luta pelo direito de ocupar durante os próximos quatro anos o prédio da prefeitura carinhosamente apelidado de "piranhão", o senador Marcelo Crivella e o deputado Marcelo Freixo medem suas forças.
E se Crivella pode ser "acusado" de representar os eleitores evangélicos, Freixo tem atrás de si uma seita bem mais aguerrida: a dos órfãos do PT e a dos rebeldes sem causa nos DCEs.
Típico candidato queridinho da esquerda de praia e botequim do Rio de Janeiro, aquela formada pela classe abastada e culpada, Freixo é uma espécie de Lula sem barba e com diploma.

Seu partido, o PSOL - sigla que já golpeia a inteligência alheia com a impossível junção de socialismo e liberdade - defende basicamente uma experiência cubano-venezuelana no Brasil, regimes que, aliás, o partido apóia explicitamente.
O PSOL enfrenta resistência nas classes mais pobres e conservadoras porque defende quase tudo o que essas classes acham que não presta: ideologia de gênero, o fim da PM, liberação de drogas, estatismo, governo inchado, etc.
O candidato Marcelo Freixo deu uma prova disso no primeiro debate do segundo turno, defendendo "conselhos populares" para resolver os problemas da cidade, a criação de mais secretarias e até um banco municipal.
Só faltou prometer uma casa da moeda carioca para imprimir os confetes deste carnaval de gastos.
O PSOL sempre foi inofensivo porque sempre foi sectário e não encontrava público fora do circuito DCE-botequim-artistas engajados. Seus devotos são ensandecidos e apaixonados pelo seu candidato - já cheguei a ler um sujeito no Facebook terminar um laudatório ao Freixo com a pergunta "como pode alguém não votar nesse cara?" - mas são ruins de voto.
Noves fora a pecha de linha auxiliar, os seus militantes se incomodam com a comparação ao PT não tanto pela injustiça desta, mas pelo aviso que oferece aos demais: o monopólio da ética, da defesa dos pobres, a santimônia fajuta, o esquerdismo Leblon/Jardins, tudo o que estava lá no PT dos anos 80 e que deu no que deu, tudo isso está no PSOL de hoje.
E para piorar agora entrou na equação a sede pelo poder e pela chave do cofre que vislumbraram com essa ida ao segundo turno. A visão do pote de ouro já fez até o Jean Wyllys, o deputado-reality-show que passa o tempo chamando cristãos de "retrógrados", divulgar uma lista de "cristãos por Freixo" e o partido declarar que aceita até o voto ético, vejam vocês, dos eleitores do Bolsonaro.
Como se vê, o PSOL está na pista pra negócio.
Cabe ao eleitor que não se deixa levar por conversa mole fazer esse PT-cover pedir concordata.
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