sexta-feira, 18 de novembro de 2016

É na cadeia que suas excelências vão descobrir como vive o povo que eles infernizam

Já começaram a aparecer comentaristas políticos, celebs e vulgos repreendendo as pessoas que riram com o piti que o ex-governador Anthony Garotinho deu ao ser transferido de um hospital municipal para o presídio de Bangu.
Insensibilidade, humor macabro, bestialização, foram algumas das palavras usadas. Como se não fosse insensível, macabro e bestial um político que há décadas está em postos-chave no estado pedir transferência para um hospital particular porque o SUS, que "está bom demais" para o populacho, não serve para ele.
Ou como se não fossem insensíveis, macabros e bestiais os luxos em que vivem as famílias do Sérgio Cabral e demais "excelências" às custas exclusivamente do roubo, da corrupção e da falência econômica e moral do estado.
Essa gente não merece pena. Meu avô quando era vivo ficou no SUS. Passou dias numa maca e o banheiro do local tinha fezes no chão. Até ser transferido tive que PAGAR para que funcionários do hospital dessem atenção à ele e não o largassem ali sem cuidados. Nada se assemelhava à um tratamento humano para aquelas pessoas que já estavam ali fragilizadas, necessitadas, desamparadas.
E o mesmo com a segurança pública, as escolas, as gigantescas favelas fétidas que são as cidades brasileiras, ignoradas por suas excelências que andam para cima e para baixo em carros oficiais, que só frequentam recepções em locais tão refrigerados e assépticos que não parecem estar nem no mesmo país. Que se deleitam em banquetes pagos com o dinheiro dos outros, que educam seus filhos, futuros herdeiros dos seus impérios do crime, no exterior, para não se misturar com o populacho.
Pois a cadeia, as mesmas cadeias que eles construíram e gerenciaram, é o local adequado para que se encontrem com os indesejáveis, para que sintam como é a vida de quem almoça em quentinhas e bebe Tang, para que provem um pouco do inferno em que transformam a vida dos outros.
Eu nunca dei faniquito sendo levado pra cadeia, mas também nunca roubei dinheiro público e nem me aproveitei da miséria pra comprar voto.
Tentem isso da próxima vez, quando forem soltos. De preferência daqui a muitos anos.
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