sábado, 5 de novembro de 2016

Não seja um ET


Em muitos filmes de ficção científica os alienígenas são retratados como seres com tecnologia superior, indiferença total à subjetividade da raça humana e disposição total para nos tomar tudo o que puder sem se importar com o sofrimento que isso cause.
Confrontados com seus planos de destruir a Terra, sequestrar, aprisionar e escravizar pessoas, espalhar seu lixo, sugar todos os recursos ou simplesmente nos destruir apenas por que "podem", nossa reação no cinema vai do pavor à angústia, do medo à raiva, do sentimento de auto-preservação ao desejo de vingança.
E os personagens dos filmes geralmente fazem tudo isso para satisfazer a sede do público. Mas o que sobra no final é: eles não tinham o direito de fazer isso e merecem ser punidos.
Agora, me diga qual a razão de pensarmos diferente quando humanos vão até o oceano ou às florestas do mundo e retiram daquele habitat natural animais para serem aprisionados e expostos em zoológicos, aquários ou parques aquáticos?
Não é uma necessidade vital, já que não comemos golfinhos e nem tomamos sopa de leão, é pura diversão, disfarçada de interesse científico. Fazemos apenas porque podemos.
A ciência hoje não pode afirmar que, por exemplo, peixes sintam algo quando removidos do cardume para ficar circulando numa caixa de vidro sob olhares curiosos. Mas não pode afirmar também que não sintam nada.
Já baleias, golfinhos e vários outros animais sim, eles sofrem com essa ação. Assim como sofrem com a poluição que produzimos, com o descaso com o qual utilizamos recursos naturais, com a destruição que invariavelmente cerca a presença humana.
Agora pense o seguinte: nem sequer alienígenas somos, mas agimos igualzinho aos ETs de filme que desejamos a morte quando fazem o mesmo conosco.
O planeta ser nosso, não significa que este nosso diga respeito apenas ao humano. É nosso. Nosso e deles.
Tente não ser um ET.
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