quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os pontos fracos de Bolsonaro


Um dos filhos do deputado Jair Bolsonaro disse essa semana uma frase que considero infeliz, que o "escola sem partido é um tema mais importante do que economia".

Não é. Ponto.

Diria que o escola sem partido é o tema mais importante da área da educação. Quebrar a influência de sindicatos e obliterar completamente a doutrinação marxista nas escolas é urgente, nada é mais importante no Brasil. Na área da educação.

A economia é importantíssima, porque sem esta ir bem, nada mais tem chance de caminhar. Duvida? Pergunte para um pai de família que está desempregado ou ganhando uma miséria e precisa morar, comer, se vestir e até ter algum lazer se ele tem tempo - ou cabeça - para debater sobre gramscismo ou liberalismo.

Por isso não existe "tema mais importante", existem temas importantes e todos estão sujeitos à uma condição: o bem estar financeiro do cidadão. É isto, mais do que qualquer outra coisa, que derruba governos.

Mas fizeram um berreiro contra quem criticou a tal frase infeliz. "Isso é fazer o trabalho da esquerda". "Não se deve fazer críticas abertas". Não? Como não?

Primeiro que eu não quero fazer um Lula de direita, seja ele quem for, depois que esse processo de aglutinação de uma candidatura é justamente o momento de criticar, testar, consertar.

As primárias nos EUA servem para moer o candidato. Ali todas as falhas aparecem. Quem passa por elas, está quase pronto para receber a saraivada de ataques do outro lado.

No Brasil querem "proteger de críticas"? Vocês acham que os Joãos Santanas da vida já não estão vendo todos os pontos fracos de todos os adversários do PT e seus satélites? Acham que vão aliviar?

E já que é para falar em pontos fracos, cito alguns que vejo no Bolsonaro: o primeiro são seus filhos.

Um chega despreparado num debate, quase desmaia e faz uma campanha morna para a prefeitura do Rio. Outro viaja de férias para a Austrália e deixa de votar no pai para a presidência da câmara, dando à esquerda a narrativa "nem o filho votou nele". Todos precisam calibrar seus pés.

Querem "mitar" na internet ou querem vencer a presidência?

Um outro ponto fraco é sua pecha - justa ou injusta, mas real - de aventureiro e despreparado. Bolsonaro não tem grupo político, estrutura partidária apoiando-o e nem quadros, o que se por um lado é bom, já que o eleitorado de todo o mundo busca "outsiders", por outro lado é ruim porque gera dúvidas quanto à consistência de um eventual governo seu.

Minha sugestão: faça como Trump fez em relação às dúvidas que existiam sobre suas nomeações para a suprema corte americana. Ele divulgou uma lista de nomes notáveis que seriam indicados caso fosse eleito.

Bolsonaro pode fazer isso pelo menos com os ministérios mais importantes como a justiça, a educação, a saúde, a defesa, a infra-estrutura. Para não parecer um outro Collor, um aventureiro que coalhou o governo de nulidades, apresente os seus futuros ministros para o eleitorado.

A comparação com os ministérios fisiológicos dos demais será avassaladora.

Mas é só uma sugestão que dou após fazer as críticas. Quem não quiser enfrentá-las, funde uma seita, é melhor do que se lançar na política.
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