sexta-feira, 31 de março de 2017

O que dizer ao eleitor em 2018

Um fellow tuiteiro me disse isso sobre a situação política brasileira: 2014 foi louco, 2015 ainda mais, 2016 superou tudo e 2017 não vai ser diferente. Concordando com ele, acrescento: e 2018 será de arromba.
Só que...
Sim, é animado mas cansa. Nessa ciranda de manifestações, barracos no parlamento, CPIs, guerra virtual, brigas de família e a política reduzida à um teste do DNA no programa do Ratinho, a crise só piora e as pessoas não ganham dinheiro e nem vivem.
Essa é a real receita pra venezuelização. A Venezuela está nessa situação - culminando com um golpe de estado propriamente dito em 30 de março deste ano - por causa de um governo de socialistas marginais (pleonasmo) e de uma campanha eleitoral permanente que dura 18 anos.
O país não debate e resolve seus problemas, não cuida do ambiente de negócios, não cria empregos e renda, não movimenta a sua economia, apenas assiste ao telecatch entre "enchufados" e "escuálidos", que é a versão "mortadela" e "coxinha" de lá.
Guardadas as devidas proporções, a Venezuela vive desde 1998 como se o Brasil ficasse preso eternamente em 2016, numa espécie de ano da marmota. É crise, crise, crise e a classe política local não quer - e os que tentam não conseguem - virar a página.
Os braços armados do chavismo - gente encostada tal qual CUT e MST, só que literalmente armados - fazem a linha de frente e a cleptocracia bolivariana se encarrega de dominar o resto, tanto que hoje a suprema corte de lá não passa de uma reunião de moleques de recado do regime.
E este é o perigo para o Brasil. Nem uma infestação de pulgas num carpete é tão difícil de se livrar quanto do PT e seus apaniguados. Por outro lado, a pusilanimidade e a desonestidade do restante da classe política empurram o país para essa situação de guerra de baixa intensidade (e altos lucros).
O povo cansa de ir todo dia para rua e a cada absurdo consertado pela pressão popular, Brasília aparecer com outros dois. As pessoas querem trabalhar, querem viver, não querem respirar política 24 horas por dia (e nem ter a necessidade de fazê-lo, senão um bando de marginais rouba até o seu pijama enquanto você dorme).
Por isso a chave para 2018 será a volta da normalidade. Essa crise política/econômica/social já deu. Vencerá aquele que oferecer ao cidadão o vislumbre de uma vida normal de novo.
O candidato que disser: acabou a palhaçada, vamos te tirar dessa merda, você vai voltar a comprar, viajar, jantar fora, leva.
Que seja alguém que pelo menos tente cumprir o prometido.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Doria é Trump? Sim e não

Comecemos pelo não, que você provavelmente achava que seria o sim: o fato dele ter sido uma celebridade da TV, ser rico e bem relacionado faz dos dois apenas, digamos, dois automóveis.
Trump é uma limousine de 10 metros de comprimento com piscina. Doria é uma BMW ou Mercedes tão caros quanto a limousine, porém bem menos espalhafatosos.
Também não tem nada a ver o fato de serem supostamente "de direita", já que ambos possuem opiniões e posicionamentos bem distantes da direita hardcore, o que inclusive alimenta seus críticos.
Lá Trump foi acusado de ser um RINO (republicano apenas no nome) e aqui Doria é tachado de "socialista fabiano", algo que não é.
E é neste ponto que as semelhanças reais - o "sim" do início do texto - começam: eles representam, cada um a seu modo, um agente de mudança tão novo na política que confundem aqueled habituados com a política tradicional.
Não temem bater de frente com os adversários, não se dobram ao politicamente correto, sabem pautar o noticiário e controlar as narrativas e surram sem piedade a imprensa esquerdista e os justiceiros sociais de sempre.
E assim como é fato que Trump não é um republicano ortodoxo e muito menos o PSDB, partido do Doria, é "de direita", ambos souberam usar sua popularidade e seu talento em comunicação para tornar estes partidos, seus.
Trump não precisou de um outro partido, assim como Doria não precisará. Tudo o que ele precisa é tomar uma estrutura já pronta por dentro, como fez na eleição municipal, e fazer do PSDB o SEU PSDB, tal qual o presidente americano fez nas primárias republicanas.
Quem não quiser embarcar que se mude.

terça-feira, 28 de março de 2017

A moral do país

Muito se tem falado sobre o quanto a polícia federal prejudicou a economia brasileira por conta da operação carne fraca, afinal, de mais de 4 mil frigoríficos existentes no país, apenas 21 estão sob suspeita e 5 ou 6 efetivamente interditados.
Fosse o número de envolvidos apenas um já seria muito, mas tudo bem, concedamos o benefício da dúvida aos demais e admitamos que a polícia federal poderia ser mais cuidadosa ao dar publicidade ao feito, que somente um punhado de fiscais corruptos estava envolvido e que se fez mais espuma do que onda, e daí?
Nada disso apaga o fato de haver gente comercializando doença na comida, sabidamente envenenando pessoas para potencializar seus lucros. Fazendo - como tão bem disse Dilma Rousseff sobre a fórmula para vencer eleições - "o diabo" em troca de mais dinheiro.
Mas não foi a PF sozinha que prejudicou o país. A cultura do Brasil e a forma desonesta como praticamente tudo funciona no país é que ajudaram a narrativa.
O problema das descobertas da carne fraca é esse: fortalecem a narrativa de que no Brasil alimentos são adulterados e distribuídos ao consumo do populacho com uma frequência perturbadora.
Lembra da soda cáustica no leite? Dos gravetos no café? Etc., etc. Dia desses prenderam no Rio uns caras pintando frangos de granja com urucum para vender como frango caipira.
A desonestidade praticada amiúde no Brasil acaba voltando para morder o país nos calcanhares: de nós espera-se sempre o pior.

terça-feira, 21 de março de 2017

O ladrão de inauguração

O Brasil é mesmo um país surreal, a novidade agora é um ex-presidente desonesto e mitômano que sai por aí em caravanas inaugurando obras que ele não concluiu.
O negócio é tão louco que pode até abrir um precedente: qualquer dia desses, numa viagem no seu papel de "presidente não oficial do Brasil", o Lula vai a Nova York inaugurar a Trump Tower e logo após a doará para o Guilherme Boulos montar um acampamento.
Mas o pior não é o país ser exposto ao ridículo de ver o chefe do bando que o assaltou - e deixou obras inacabadas - inaugurando o que preferiu desviar a construir, mas o governador de um estado pobre como a Paraíba usar o dinheiro dos outros para patrocinar este circo.
Quem pagou o palanque, o sistema de som, os ônibus para transportar a claque e o jatinho que o penta-réu usou para ir até o sertão fazer sua inauguração fake?
E assim depois da Petrobras, do BNDES, das demais estatais e bancos públicos e das arcas da nação o PT, já fora do poder, está se dedicando à uma nova atividade: roubar inaugurações.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Carne e caráter fracos

O Brasil é um país de gente que quer levar vantagem em tudo.
Uma quadrilha composta por empresários que não vivem sem a política e políticos que não vivem sem dinheiro de empresários estava envenenando o país com carne podre, contaminada e adulterada com produtos tóxicos.
Antes deles foi a quadrilha do leite, mas já teve a dos remédios, do combustível, etc. O Brasil é, sim, vítima da sua cultura do jeitinho, mas o buraco é mais embaixo, o Brasil é vítima da impunidade sufocante que transforma o país num grotão esquecido e sem esperança do mundo.
Nem pagando caro você tem a garantia de não estarem matando você e a sua família através do que compra nos supermercados.
Fosse isso aqui só um pouco mais civilizado e todos, rigorosamente todos os responsáveis pela BRF, JBS e demais empresas envolvidas seriam condenados por tentativa de homicídio, fora o resto, e passariam algumas décadas se alimentando com comida de cadeia.
Fosse o nosso povo um pouco mais disposto à luta do que é à folia, essa gente seria obrigada a comer a carne podre que vendia aos outros todo dia até morrer.
O Brasil não precisa de reformas, a impressão que fica é que um país que envenena suas águas, seu ar, suas florestas, seu povo, está além de reformas. Primeiro seria preciso destruir tudo para erguer novamente.
Mas isso não é possível sem uma sanha revolucionária e assassina. E se não é desejável a revolução, é mais do que necessária a punição. O Brasil precisa da cultura do castigo para que se destrua a origem disso tudo, que é a corrupção generalizada.
Gente querendo levar vantagem em tudo e o país andando em círculos.
Tal qual esse artigo, que começou e quase terminou com a mesma frase.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Lula e os analfabetos

Alguém deveria avisar ao Lula que todos, sem exceção, nascem analfabetos.
Logo a mãe dele não era especial porque saiu da barriga da mãe sem saber ler ou escrever ou Lula é especial porque apesar de não ter um trabalho formal há quatro décadas, não se preocupou em deixar de ser um semi-analfabeto.
Eu entendo quem conta histórias como "minha mãe era analfabeta até adulta, estudou, se formou em medicina e hoje é uma mulher bem sucedida" ou "meu avô tinha que ir a cavalo até a faculdade de direito mais próxima e foi promotor".
Mas "fulano nasceu e morreu analfabeto"? Qual é o mérito nisso? É como dizer que o Rubinho e o Massa são os maiores pilotos da história da Fórmula 1 só porque começavam e terminavam seus campeonatos fora do primeiro lugar.
Lula é uma ode à mediocridade personificada. Um sujeito que alega ganhar "uns 50 mil por mês" (se diz pobre, mas trata 50 mil reais mensais como dinheiro de bico) e que até hoje faz questão de exaltar os benefícios da falta de educação e de estudo.
É a cara desse Brasil quebrado e falido financeira e moralmente que o PT deixou para trás.
E se tem algo que alivia o fato da sua mãe ter nascido e morrido analfabeta, é que nem de longe é a pior coisa que ela fez. Ter criado o arquiteto da maior destruição da história de um país pesa muito mais no currículo.
Como dizem que a culpa é sempre da mãe, talvez umas chineladas a mais tivessem poupado hoje tanto trabalho ao juiz Sérgio Moro.

terça-feira, 14 de março de 2017

O artista e o cidadão


A minha banda preferida de todos os tempo são os Smiths. Depois é a carreira solo do Morrissey. E não digo isso para conversar sobre música, mas para dizer como consigo em certos casos separar o que a pessoa diz por aí do que ela faz artisticamente.
O Morrissey é uma metralhadora de falar besteiras, não consigo lembrar de nada que concorde com ele depois que para de cantar. Outro que é assim é o Bruce Springsteen, que me fez ir sozinho até o Rock in Rio e aturar uns artistas teens metidos a rocker chatíssimos só para vê-lo. Mas quando abre a boca é outro pavor.
Lembrei disso por causa do rififi que a esquerda fez quando o Leandro Karnal - que está longe de ser um Morrissey ou um Springsteen, mas é um ídolo pop star lá dos esquerdopatas - publicou uma foto com o juiz Sérgio Moro.
De um minuto para o outro o sujeito equilibrado e isentão que só dizia as coisas certas - politicamente corretas e intelectualmente cretinas, claro - virou um reaça, fascista, golpista, vendido. A esquerda não carece só de limite, mas de margem de manobra, de tolerância mesmo.
A adesão é 100% ou então você não vale nada.
A Scarlett Johansson e o Ben Affleck são dois que considero politicamente imbecis, mas não deixo de achá-la uma excelente (e linda) atriz por isso e nem de acompanhar os filmes dele (que são quase sempre interessantes). Só não aturo mais quando a arte da pessoa não é boa o bastante para me fazer dissociar seu ser político palerma do seu trabalho.
Wagner Moura é um desses. Não vi Narcos porque não consigo separar o psolento do ator. Sempre acho que vai aparecer o Marcelo Freixo e começar um comício num filme dele. A Madonna é outra, mas precisou que sua música ficasse decadente para que eu enjoasse dela.
O que me leva a perguntar: a esquerda acha seus gurus ideológicos um primor de brilhantismo mesmo ou se contenta apenas com gabirus que digam o que eles querem ouvir?
Fica para pensar.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O virtue signaling: nada mesmo é o que parece

Já percebeu como atualmente tudo é uma demonstração política? O virtue signalling (sinalização da virtude, uma forma de parecer que faz algo sem fazer efetivamente algo) está por toda parte.
Deixar de alisar os cabelos e "assumir seus cachos" não é só uma decisão pessoal estética, mas "demonstração de negritude empoderada contra os padrões da sociedade escravagista". Beber café orgânico - e postar a foto na internet, claro - não diz mais só respeito a uma alimentação mais saudável (e fresca, e cara), mas significa que aquele sujeito de barba de lenhador que nunca cortou nem um palito de picolé na vida é "sustentável", "ecológico", "consciente".
Pessoas se sentem melhores que outras porque curtem uma página no Facebook, compartilham algum texto, usam uma camiseta com frases de efeito, reclamam do "fiu-fiu" e ao mesmo tempo defendem a usina de estupros que é o islã sob a desculpa de defender refugiados, abandonam a música, as artes, a literatura, a publicidade, o jornalismo, o direito e passam a se dedicar à profissão mais em alta no momento: a lacração.
Campanhas publicitárias deixaram de servir para vender um produto, mas para te "educar". Novelas deixaram de ser uma diversão para sua avó e a empregada doméstica dela, mas veículos para "conscientizar" o povo. Um palco também é usado para cantar ou representar, mas também para virar palanque. E até cerimônias de premiação, discursos de agradecimento e blocos carnavalescos viraram local para discurseira política, quase sempre politicamente correta.
Por isso mesmo datas comemorativas como o dia do meio ambiente, dia da consciência negra ou o dia da mulher viram essa chatice: lacradores de todos os lados duelando para ver quem é o mais engajado, o que tem mais consciência social, o que tem mais "empatia", o que reconhece mais "privilégios" e o que é mais oprimido.
Bons tempos aqueles em que datas comemorativas significavam apenas esperar pelo coelhinho da Páscoa, o presente do dia das crianças, a fogueira de São João e os saquinhos de Cosme e Damião.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Lula candidato e o goleiro Bruno na seleção

2018 será mais ou menos assim: se Lula for mesmo candidato, ganhando ou perdendo, o país será derrotado.
Imaginem um debate e o Doria, por exemplo, aparentemente o único candidato viável do PSDB até lá, abrindo a sessão de perguntas assim:
- Candidato Lula, pra começar o senhor deveria estar preso e...
Entende o drama? É o país que vai para a cadeia no lugar dele.
Seus devotos (já virou caso de não serem mais nem seguidores) espalham por aí que como não apareceu uma gravação dele autenticada pela CIA confessando suas gatunagens para uma comissão composta pelo Papa, o Rabino-Chefe de Israel e o Dalai Lama, então ele não é culpado.
Note que ninguém - nem os devotos - têm coragem de dizer "é inocente", apenas balbuciam coisas como "se o Moro pudesse mesmo já teria prendido".
A medida da inocência do sujeito deixou de ser a "viva alma mais honesta" para "ainda está solto". Por isso Lula não deve ser candidato. O Brasil é um país exótico, longínquo, atrasado, mas aí seria demais.
Ainda que sua rejeição sugira que o vexame seria lindo - e que ele perderia um segundo turno de lavada até para o vírus ebola - sua candidatura já seria inaceitável.
Seria convocar o goleiro Bruno para a seleção só porque não conseguiram achar o corpo da vítima até hoje.