terça-feira, 28 de março de 2017

A moral do país

Muito se tem falado sobre o quanto a polícia federal prejudicou a economia brasileira por conta da operação carne fraca, afinal, de mais de 4 mil frigoríficos existentes no país, apenas 21 estão sob suspeita e 5 ou 6 efetivamente interditados.
Fosse o número de envolvidos apenas um já seria muito, mas tudo bem, concedamos o benefício da dúvida aos demais e admitamos que a polícia federal poderia ser mais cuidadosa ao dar publicidade ao feito, que somente um punhado de fiscais corruptos estava envolvido e que se fez mais espuma do que onda, e daí?
Nada disso apaga o fato de haver gente comercializando doença na comida, sabidamente envenenando pessoas para potencializar seus lucros. Fazendo - como tão bem disse Dilma Rousseff sobre a fórmula para vencer eleições - "o diabo" em troca de mais dinheiro.
Mas não foi a PF sozinha que prejudicou o país. A cultura do Brasil e a forma desonesta como praticamente tudo funciona no país é que ajudaram a narrativa.
O problema das descobertas da carne fraca é esse: fortalecem a narrativa de que no Brasil alimentos são adulterados e distribuídos ao consumo do populacho com uma frequência perturbadora.
Lembra da soda cáustica no leite? Dos gravetos no café? Etc., etc. Dia desses prenderam no Rio uns caras pintando frangos de granja com urucum para vender como frango caipira.
A desonestidade praticada amiúde no Brasil acaba voltando para morder o país nos calcanhares: de nós espera-se sempre o pior.
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