quinta-feira, 30 de março de 2017

Doria é Trump? Sim e não

Comecemos pelo não, que você provavelmente achava que seria o sim: o fato dele ter sido uma celebridade da TV, ser rico e bem relacionado faz dos dois apenas, digamos, dois automóveis.
Trump é uma limousine de 10 metros de comprimento com piscina. Doria é uma BMW ou Mercedes tão caros quanto a limousine, porém bem menos espalhafatosos.
Também não tem nada a ver o fato de serem supostamente "de direita", já que ambos possuem opiniões e posicionamentos bem distantes da direita hardcore, o que inclusive alimenta seus críticos.
Lá Trump foi acusado de ser um RINO (republicano apenas no nome) e aqui Doria é tachado de "socialista fabiano", algo que não é.
E é neste ponto que as semelhanças reais - o "sim" do início do texto - começam: eles representam, cada um a seu modo, um agente de mudança tão novo na política que confundem aqueled habituados com a política tradicional.
Não temem bater de frente com os adversários, não se dobram ao politicamente correto, sabem pautar o noticiário e controlar as narrativas e surram sem piedade a imprensa esquerdista e os justiceiros sociais de sempre.
E assim como é fato que Trump não é um republicano ortodoxo e muito menos o PSDB, partido do Doria, é "de direita", ambos souberam usar sua popularidade e seu talento em comunicação para tornar estes partidos, seus.
Trump não precisou de um outro partido, assim como Doria não precisará. Tudo o que ele precisa é tomar uma estrutura já pronta por dentro, como fez na eleição municipal, e fazer do PSDB o SEU PSDB, tal qual o presidente americano fez nas primárias republicanas.
Quem não quiser embarcar que se mude.
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