quarta-feira, 8 de março de 2017

O virtue signaling: nada mesmo é o que parece

Já percebeu como atualmente tudo é uma demonstração política? O virtue signalling (sinalização da virtude, uma forma de parecer que faz algo sem fazer efetivamente algo) está por toda parte.
Deixar de alisar os cabelos e "assumir seus cachos" não é só uma decisão pessoal estética, mas "demonstração de negritude empoderada contra os padrões da sociedade escravagista". Beber café orgânico - e postar a foto na internet, claro - não diz mais só respeito a uma alimentação mais saudável (e fresca, e cara), mas significa que aquele sujeito de barba de lenhador que nunca cortou nem um palito de picolé na vida é "sustentável", "ecológico", "consciente".
Pessoas se sentem melhores que outras porque curtem uma página no Facebook, compartilham algum texto, usam uma camiseta com frases de efeito, reclamam do "fiu-fiu" e ao mesmo tempo defendem a usina de estupros que é o islã sob a desculpa de defender refugiados, abandonam a música, as artes, a literatura, a publicidade, o jornalismo, o direito e passam a se dedicar à profissão mais em alta no momento: a lacração.
Campanhas publicitárias deixaram de servir para vender um produto, mas para te "educar". Novelas deixaram de ser uma diversão para sua avó e a empregada doméstica dela, mas veículos para "conscientizar" o povo. Um palco também é usado para cantar ou representar, mas também para virar palanque. E até cerimônias de premiação, discursos de agradecimento e blocos carnavalescos viraram local para discurseira política, quase sempre politicamente correta.
Por isso mesmo datas comemorativas como o dia do meio ambiente, dia da consciência negra ou o dia da mulher viram essa chatice: lacradores de todos os lados duelando para ver quem é o mais engajado, o que tem mais consciência social, o que tem mais "empatia", o que reconhece mais "privilégios" e o que é mais oprimido.
Bons tempos aqueles em que datas comemorativas significavam apenas esperar pelo coelhinho da Páscoa, o presente do dia das crianças, a fogueira de São João e os saquinhos de Cosme e Damião.
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