quarta-feira, 26 de abril de 2017

A geração xarope

Nossos avós e bisavós viveram num mundo duro, difícil, um mundo no qual as pessoas eram obrigadas a virar adultas muito cedo. Casavam antes dos 20, estavam com famílias formadas antes dos 30 e por volta dos 40 já eram senhores e senhoras.
Enfrentaram duas guerras mundiais, passaram por racionamentos, fome, epidemias, sobreviveram no atraso tecnológico, tiveram que literalmente lutar para viver.
A geração seguinte, talvez até por causa da educação austera que recebeu, passou a vida trabalhando e se sacrificando praticamente com um objetivo comum: dar aos seus filhos uma vida melhor e mais confortável do que aquela que teve.
E após estas vieram as gerações que hoje estão por aí, no mercado de trabalho e nas universidades, netos, bisnetos e até tataranetos daqueles heróis do início do século passado.
O pessoal que nasceu nos anos 70/80 se dedicou a aproveitar a vida e a não trabalhar apenas para formar família, criar filhos e já ser um idoso antes dos 50. Pode aproveitar a tecnologia, os avanços nos costumes. Casaram e tiveram filhos tarde, sendo pais mais tolerantes, "cabeça aberta" e com uma vida voltada para o trabalho e o prazer.
A partir daí as gerações seguintes parecem ter só um objetivo: recolher direitos.
Acham que tudo é seu "direito".
Muitos criados como a única criança da família, o centro das atenções e praticamente todos ouvindo desde muito cedo - já que o "certo" é isso - o quanto são especiais e perfeitos. Não são admoestados pela família, mas recebem "toques", não conhecem limites, mas "negociações" com os pais, não aprendem disciplina porque não devem ser "oprimidos".
Por isso mesmo não aceitam de forma madura ou civilizada a menor das frustrações. Para eles o fato de alguém simplesmente discordar do que dizem já é motivo para agressões, xingamentos, revoltas, pitis, faniquitos.
- Não invada meu lugar de fala.
- Não é sobre você.
- Apenas ouça o oprimido e cale-se.
Enxergam o mundo através dessa chave analítica "opressor x oprimido" e são mesmo o fruto da junção de famílias ocupadas demais e professores altamente diligentes para o que não presta. A doutrinação que correu solta nas salas de aula nos últimos 20 anos, pelo menos, foi a fábrica de onde saiu essa geração do mimimi.
Se acham tão importantes, tão o centro do mundo, que transformam gestos ridículos, inócuos, menores ou mundanos em atos revolucionários, seja uma moça deixar crescer os cabelos do sovaco, um rapaz ir para a aula de saia ou todos juntos defecarem em público.
Dizem que são a expressão da evolução da sociedade, mas curiosamente quem olha em volta só consegue ver o tecido dessa mesma sociedade se desmanchando em rixas, ressentimentos, rancores e inação. Para o estado e seus agentes é ótimo: enquanto brigamos, eles nos saqueiam.
E para o futuro é perturbador. Se isso que vemos é "evolução", imagine só o que vem por aí.
0 Comentários