terça-feira, 14 de março de 2017

O artista e o cidadão


A minha banda preferida de todos os tempo são os Smiths. Depois é a carreira solo do Morrissey. E não digo isso para conversar sobre música, mas para dizer como consigo em certos casos separar o que a pessoa diz por aí do que ela faz artisticamente.
O Morrissey é uma metralhadora de falar besteiras, não consigo lembrar de nada que concorde com ele depois que para de cantar. Outro que é assim é o Bruce Springsteen, que me fez ir sozinho até o Rock in Rio e aturar uns artistas teens metidos a rocker chatíssimos só para vê-lo. Mas quando abre a boca é outro pavor.
Lembrei disso por causa do rififi que a esquerda fez quando o Leandro Karnal - que está longe de ser um Morrissey ou um Springsteen, mas é um ídolo pop star lá dos esquerdopatas - publicou uma foto com o juiz Sérgio Moro.
De um minuto para o outro o sujeito equilibrado e isentão que só dizia as coisas certas - politicamente corretas e intelectualmente cretinas, claro - virou um reaça, fascista, golpista, vendido. A esquerda não carece só de limite, mas de margem de manobra, de tolerância mesmo.
A adesão é 100% ou então você não vale nada.
A Scarlett Johansson e o Ben Affleck são dois que considero politicamente imbecis, mas não deixo de achá-la uma excelente (e linda) atriz por isso e nem de acompanhar os filmes dele (que são quase sempre interessantes). Só não aturo mais quando a arte da pessoa não é boa o bastante para me fazer dissociar seu ser político palerma do seu trabalho.
Wagner Moura é um desses. Não vi Narcos porque não consigo separar o psolento do ator. Sempre acho que vai aparecer o Marcelo Freixo e começar um comício num filme dele. A Madonna é outra, mas precisou que sua música ficasse decadente para que eu enjoasse dela.
O que me leva a perguntar: a esquerda acha seus gurus ideológicos um primor de brilhantismo mesmo ou se contenta apenas com gabirus que digam o que eles querem ouvir?
Fica para pensar.
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