terça-feira, 11 de abril de 2017

O que é abuso e o que não é

O brasileiro - vamos usar a entidade coletiva apesar de eu detestar isso - resolveu combater o que chama de "relacionamento abusivo". As aspas são necessárias porque o brasileiro não decidiu só combater o que chama de "relacionamento abusivo", mas também determinar o que é isso.
Um reality show acompanhado pelo típico brasileiro médio jogou o assunto de vez nas "redes sociais", essa praça com a estátua de um lacre (pesquise "lacração" no Google) gigantesco no meio.
Não quero jamais dizer que tal coisa não existe. Qualquer relacionamento no qual um dos parceiros atrapalha as relações pessoais do outro, a vida profissional do outro, as ligações familiares do outro, a escolha do que o outro vai vestir e por aí vai, muitas vezes de forma violenta, sim, é abusivo.
Mas discordar um do outro, ficar de mal, sem se falar, dizer coisas que se arrepende depois, gritar no meio de uma briga, falar palavrões ou coisas assim - sem chutes, socos ou pauladas, que fique bem claro - não é um relacionamento abusivo, é um relacionamento normal.
Parece que a militância lacradora tão moderna, prafrentex e contra a família tradicional anda querendo um conto de fadas daqueles com direito a príncipe, princesa e um felizes para sempre ao som de trombetas.
Tenho visto gente por aí descrever relacionamentos como abusivos onde: o cara não gosta do mesmo estilo de música que ela, olha para outra na rua, vai muito para a Igreja e ela é atéia, ele elogia o Bolsonaro e ela vota no Freixo, ele disse que uma roupa é feia, ele não quis sair com os amigos dela, ele, oh, gritou!
Notem também que é sempre "ele" como se nenhuma mulher tivesse a capacidade de ser agressiva, intolerante, violenta ou abusiva.
Finalizando, chegamos ou em breve chegaremos ao ponto onde se dirigir à uma mulher sem pedir desculpas antes pelos "privilégios" será abuso, assédio, estupro e caso de polícia.
O que, convenhamos, é caso de psiquiatria.
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