quarta-feira, 31 de maio de 2017

Constituição?

A constituição dos Estados Unidos entrou em vigor em 1789 e foi alterada 27 vezes. A constituição brasileira entrou em vigor em 1988 e foi alterada 95 vezes.
O cartapácio constitucional brasileiro trata de tudo, se bobear até da posição correta que o rolo de papel higiênico deve ser pendurado no suporte. E cada vez que algum poderoso de ocasião ou clamor popular de verão resolvem que aquele calhamaço não lhe serve, muda-se novamente.
Agora é a vez das “diretas já”, nada a ver com um movimento que na década de 80 pedia a volta do direito de votar para presidente que fora suprimido 20 anos antes, mas um jeitinho de manter o líder da segunda maior religião do país — a primeira é o Cristianismo — fora da cadeia.
Urna vai virar embargo infringente para que o Lula jamais tenha que pagar pelo que fez.
Dito isso, talvez seja o momento de admitir que o país errou em 1988. Tudo bem que é frustrante saber que teríamos que fazer OUTRA “carta” em mais um “agora vai!” constitucional, mas talvez também pudéssemos fazer direito dessa vez.
Não tenho sugestões muito elaboradas, mas uma que considero primordial: após eleitos os constituintes, que se faça como no Vaticano em tempos de conclave: tranquem todos num local sem acesso ao mundo exterior até que cheguem à uma conclusão e, inexoravelmente, à um texto de não mais do que 20 páginas.
O Brasil é a prova viva de que, em termos de constituição, menos é mais e muito mais é problema.
E a emenda fica sempre pior do que o soneto.
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