quinta-feira, 29 de junho de 2017

Nova direita é o escambau

Ser de direita já foi difícil. Na verdade, assumir-se de direita já foi péssima jogada. Se estivesse na faculdade você provavelmente não conseguiria nem uma paquera, quanto mais uma namorada e dependendo do seu emprego poderia resultar até em demissão.
Amigos virariam a cara, vizinhos iriam latir de volta para o seu cachorro, sua vida seria bem solitária.
Lembro quase com saudade desses tempos em que éramos uma confraria tão selecionada quanto os jantares de arrecadação do Partido Novo. Só que clubes de meia dúzia não mudam muita coisa, então foi com alegria que acompanhei a ascensão da direita no Brasil.
Ascensão que precisa ser confirmada no voto, diga-se de passagem, porque por enquanto ainda somos os campeões da hashtag, os populares da noite de autógrafos e os parlamentares da internet.
Mas há um caminho, um claro caminho para que a dominância total de esquerdistas declarados e disfarçados deixe de ser tão sufocante.
Só que precisamos parar de frescura para isso. Para começar, não existe "nova direita" num país onde há 50 anos não existe uma "velha direita". Existe direita. Ponto.
Dividir as pessoas em "direita esclarecida", "liberal", "bolsominions" e o cacete a quatro serve apenas para quem anda lucrando horrores com o papel de direitista.
Sim, porque esse negócio de direita no Brasil está virando isso mesmo: um negócio. E já começaram as disputas pelo mercado.
Nem ganhamos nada de fato - além da notoriedade recém surgida - e já vejo por aí esse comportamento farisaico de um lado e jacobino de outro.
E como só existem esquerdistas e isentões como opção, prefiro continuar aqui onde estou, mas faço um pedido: tentem não encher muito o saco.
Obrigado.
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