quinta-feira, 27 de julho de 2017

Atenção nas "narrativas"

Imagine se o Lula consegue ser candidato. No país do STF garantista e do TSE coveiro de prova viva tudo é possível.
Agora visualize um locutor dizendo assim no horário eleitoral: você aí fazendo conta, cansado de sofrer, vem voltar a ser feliz.
E o cara em casa vendo isso e pensando "eu viajava, comprava, vivia".
Ah, mas a culpa é dele, tentarão explicar. E o locutor volta: não, a culpa é dela, no tempo dele não era assim.
Mas foi ele que a colocou lá. E lá vem o locutor: ela é limitada, arrogante, não fez nada do que ele aconselhou.
O que pretendo ao dizer isso? Torcer contra? Botar medo nos outros? Virar a casaca?
Não.
Apenas avisar: quem vender austeridade enquanto aumenta salário de funcionário público, quem defender cota de sofrimento enquanto manda os coletores atrás de mais niqueis para sustentar a corte, quem não oferecer o vislumbre do fim de toda essa bosta em que o país está enfiado, vai disputar colocação com o Levy Fidelix na contagem de votos.
Que haja um plano, mas que este plano inclua aspirações. Senão já sabem quem leva, com mentira e tudo.
O aviso está dado.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Minha escolha para 2018

Ainda não tenho candidato para 2018, mas já tenho alguns parâmetros que decidirão isso por mim.
Por exemplo, meu candidato terá que apoiar o escola sem partido. Terá que concordar em rever o estatuto do desarmamento e respeitar o plebiscito de 2005. Apresentar um plano realista sobre a segurança pública é a cereja no bolo.
Espero que meu candidato, para conquistar meu voto, seja abertamente contra a ideologia de gênero e a favor de reformas política e tributária.
Mas principalmente desejo que ele, através deste ano e do ano que vem, seja capaz de mostrar ainda que um vislumbre de como será o país - ou pelo menos como o país estará tentando ser - sob o seu governo.
A volta à normalidade não pode significar "business as usual", o país (e eu) não suporta mais.
Todo eleitor poderia fazer o mesmo, estabelecer parâmetros e exigir que aqueles que cortejam seu voto esclareçam suas posições.
O que for ambíguo, "vaselina", demagogo ou evasivo, "articulador", "conciliador" demais, esqueça. Você já sabe onde vai dar.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Crivella corta a verba para o carnaval

Carnaval é fonte de turismo desqualificado e mais nada.
As cidades enchem de gringos que ficam vagando pelas ruas enchendo a cara e andando atrás de mulher.
Não visitam um ponto turístico, não compram quase nada, só fazem a baderna que não fazem na terra deles e depois vão embora.
Se o Temer achou por bem usar o dinheiro da sua alta de impostos e dar a metade que o Crivella tinha cortado para a "folia", então que o prefeito corte a metade que havia mantido e assim economize 100% para gastar no que preste.

Só a fraude resolve

O enredo é o seguinte: cuidado com o Lula. Por isso é melhor apoiar um candidato mais ponderado, de centro, "agregador" para "ganhar fácil" do PT.
Afinal isso deu tão certo em 2002, 2006, 2010 e 2014, não é mesmo?
Eu sinto cheiro de narrativa de longe e o que vemos aqui e ali é o nascimento de uma novinha em folha: o segundo turno será muito perigoso, um passo em falso e isso aqui vira a Venezuela.
Quem pensa assim está achando que o eleitor vai se contentar - de novo - com um candidato que diga coisas como "o PT sempre foi contra o Brasil", quando ele quer ouvir é um candidato que diga "o PT tem que acabar, ser destroçado, varrido e enterrado debaixo de sal".
Um tal de Celso Rocha de Barros, um "doutor em sociologia pela Universidade de Oxford" que ironiza o Trump fazendo alusões ao tamanho de seu órgão genital, afirmou que as chances de vitória de Jair Bolsonaro são a "desistência de um Brasil moderno".
Sim, porque este é um baita país moderno, com tudo funcionando, boa qualidade de vida, segurança, tecnologia, custo de vida baixo, educação em alta, criminalidade em baixa, saúde em alta, não é?
Imagina que horror dar um chute na cara do Lula, do Sarney, Renan Calheiros, Sérgio Cabral, Romero Jucá e outros piolhos que há décadas têm a política como ocupação e eleger Bolsonaro ou algum outro "outsider"?
Não, essas instituições maravilhosas que temos merecem ser mantidas.
O que os políticos tradicionais agora vão tentar te convencer é que votar contra mais uma das suas "concertações" vai por a perder tudo o que você nunca teve (por culpa deles).
Então aqui vão algumas dicas gratuitas para os incautos:
Quem acha mesmo que vai vencer eleição fazendo reunião em clube de ricaço e restaurante de grã-fino é porque está desconectado da realidade.
Quem acha exageradas as reações a mais aumento de impostos é porque está desconectado da realidade.
Quem acredita que o cidadão vai "compreender" que tem que fazer mais sacrifícios para sustentar uma corte em Brasília e no funcionalismo público em geral é porque está desconectado da realidade.
Quem pensa que a segurança pública não está no topo das preocupações de quem não anda de carro blindado com seguranças armados está desconectado da realidade.
E quem se iludir imaginando que o eleitor não vai para a urna em 2018 com raiva e vontade de destruição é porque está desconectado da realidade.
O eleitor quer sangue, e vai ser na solidão da cabine de votação que ele vai dar vazão ao seu lutador de UFC adormecido.
Só a fraude resolve.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Você não é dono do planeta, você o compartilha

Para que servem os animais? Bom, não para você e nem para ninguém. Animais não devem "servir" para nada, pois não foi para isso que vieram ao mundo.
Recebi um vídeo de um programa do Jô antigo no qual o Chico Anysio - de brincadeira, claro, não sou mala de não entender - perguntava qual a utilidade do rinoceronte, para que salvar baleias e que falta faria o mico leão dourado.
O Chico estava meio que brincando, mas tem gente que pensa assim de verdade e age de acordo.
Não sou vegetariano, vegano e nem nada disso, acredito que existe uma cadeia alimentar, que você precisa de alimento para viver e que se o humano fosse feito para comer apenas capim, teríamos rúmen, folhoso e barrete.
Uma picanha no final de semana não é o mesmo que matar um animal para usar sua pele como enfeite, mas a "utilidade" deles para por aí.
Se uma girafa, um hipopótamo ou um boto cor-de-rosa não tem "utilidade" para o ser humano, azar o do ser humano, porque o planeta não é nosso, mas compartilhado com diversas outras espécies.
A preocupação com os animais não é acessória, supérflua ou capricho, é uma forma de nos aproximar de nossa melhor essência. Dizer que há fome na África ou crise humanitária na Síria como se isso diminuísse a importância da defesa dos animais é bobagem. Quem estiver incomodado ajude nas questões que considerar mais urgentes.
Finalizando, se formos pensar, eles não podem não "servir" muitas vezes aos interesses humanos, mas nós além de não servirmos pra nada ainda destruímos um espaço que também é deles.
A dívida é toda nossa.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ponham tudo abaixo

Pacientes de um hospital público no Rio de Janeiro que trata de diabéticos estavam madrugando na fila para conseguir atendimento quando foram assaltados por bandidos. O Rio, estado roubado e quebrado pelo PMDB com a ajuda e colaboração do PT é só o exemplo mais absurdo do que foi feito com o Brasil.
O país, hoje com a economia estagnada e 15 milhões de desempregados, segue sufocando seus cidadãos com impostos e cortes nos serviços que estes impostos deveriam manter. O exemplo dos passaportes, documento que custa 250 reais e parou de ser emitido por "falta de verba", define bem o Brasil, que deixou de ser ruim e caro faz tempo, para ser apenas caro. O resto é inexistente.
Michel Temer aumentar por decreto impostos sobre combustíveis enquanto não corta um centavo de gastos com pessoal e mordomias é aquele tipo de coisa que deveria servir como a guta d'água.
Renan e Cabrais, Pezões e Geddéis, magnatas da roubalheira de tornozeleira eletrônica nas suas mansões compradas com dinheiro sujo, as diárias dos deputados, as viagens pagas com o dinheiro dos outros, nada disso foi capaz de tirar o brasileiro do torpor em que se encontra. Mas algo há, espero eu, de fazê-lo acordar.
Seja um bandido condenado pela justiça fazendo campanha eleitoral ilegal enquanto ameaça o país com o caos, seja as risadas de deboche nos cafezinhos no congresso, seja mais um imposto para coletar mais moedas do já combalido bolso de quem produz, algo precisa fazer o brasileiro decidir derrubar sua Bastilha.
No caso francês esta era apenas um prédio, uma prisão, já no brasileiro, a prisão é o país inteiro. E pouca coisa não merece ser posta abaixo.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A quem servem os servidores?

O Brasil é a capital mundial do concurseiro. Não sei se existe esse fenômeno em outro lugar do mundo, mas o sonho da maioria das pessoas no país tropical é passar num concurso, conseguir estabilidade no emprego, dinheiro certo no fim do mês e o direito de reclamar das "péssimas condições e salários" até se aposentar.
Na maioria dos lugares civilizados e com saneamento básico tornar-se servidor público é exatamente isso: serviço. No Brasil não, na terra da favelização alegórica virar funcionário público é ter acesso a um mundo de facilidades, mordomias, pouco trabalho e média salarial acima do resto da macacada.
Não é normal e jamais deveria ser que um profissional liberal, empregado do setor privado ou pequeno empresário ganhe menos do que um auditor, um auxiliar de cartório, um fiscal de alguma coisa, um carimbador de não sei o que ou um assessor do assessor do assessor.
E isso se reflete na política: todo mundo que se mete a ajudar algum político só tem uma coisa na cabeça, a sonhada boquinha.
Por isso, segundo levantamento divulgado pelo jornalista Cláudio Humberto, só as agências reguladoras já empregam mais de nove mil pessoas. Vigilância sanitária, telecomunicações, petróleo, a Anac (que só regula a defesa dos interesses das empresas aéreas) e a inútil Ancine.
Somente na agência reguladora dos "cineastas", o gasto é de 83 milhões. E assim, o que seria para mediar a relação do estado com empresas e mercados vira um Taj Mahal de bons vivants.
A fome é tanta que o ano de 2016 foi o primeiro, desde 2003, em que o número de boquinhas no governo federal ficou abaixo de DEZOITO MIL. Para simples comparação, o presidente dos Estados Unidos tem direito de nomear menos de 2 mil postos diretos.
Junte-se aos gordos salários pagos a toda essa gente as bonificações, ajudas de custo, planos de saúde e dentário, vale transporte, ticket refeição e alimentação, gratificações, etc., e entenda porque se até uns anos atrás a plebe pagava 4 meses de trabalho em impostos, hoje paga 5 meses.
E o governo já anda avisando que "não há dinheiro" e que talvez precise aumentar a coleta.
Claro que precisa, afinal, os "servidores" precisam se servir.

sábado, 15 de julho de 2017

O arquiteto do puxadinho Brasil

Esqueça só por um minuto o que você pensa sobre o presidente Temer. Seja você um dos 7% que o apoiam ou algum dos que fazem oposição por razões corretas ou oportunistas, uma coisa é fato: ele não tem merecido no congresso e na imprensa 1% da reverência e do "benefício da dúvida" que a incompetente, mentirosa e corrupta Dilma Rousseff mereceu.
O impeachment de Dilma levou longos meses para se resolver, intermináveis reuniões na comissão de constituição e justiça, liminares, intervenções do STF, votações anuladas, sessões que varavam a madrugada e TODO O CUIDADO possível, impossível e, principalmente, nauseante para que petistas não berrassem - eles nunca falam, só berram - que era "golpe".
A morosidade do processo ficava ainda mais imoral quando comparada à celeridade com que os inquisidores do PT atiraram o ex-presidente Fernando Collor na fogueira em 1992.
No final os petistas continuaram dizendo que foi "golpe" e o único golpe verdadeiro foi aquele urdido na calada da noite, em algum esgoto de Brasília, pela senadora Kátia Abreu, pelo jagunço Renan Calheiros e pelo petista de toga Ricardo Lewandowski, que rasgou a constituição e manteve os direitos políticos da "presidenta".
Caso Temer se livre desta denúncia - e de mais outras duas que o procurador que só acha corruptos longe do PT já prometeu - ao fim e ao cabo, uma coisa restará definitiva: Temer é um mestre da articulação.
Em 2016 Lula transformou um hotel nas cercanias do congresso em lupanar, de onde comprava votos contrários ao impeachment de sua desastrada criatura. Não se viu da imprensa o escândalo de agora e, mesmo com toda a basculheira que acontecia naquela suíte paga sabe-se com que dinheiro, Dilma caiu.
Temer não tem contado com a cerimônia de quem se opõe à ele, com a paciência da imprensa e nem com a parcimônia dos "especialistas". O que se vê é um vale tudo, todos contra ele.
Se sair dessa, será tão e somente melhor do que Lula, aquele que muita gente considera um gênio.
Não será pouco.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Sérgio Moro: um juiz brasileiro

Lula: o juiz Sérgio Moro usou 60 páginas para justificar uma condenação.
Alguém avise para o criminoso condenado que uma SENTENÇA é justamente para isso, ou seja, o juiz explicar porque resolveu mandar o meliante para a gaiola.
Juiz que "prende porque quer" só tem em Cuba e na Venezuela.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Lula é 9

Apesar de demorada - e talvez até mesmo por conta disso - a sentença que Sérgio Moro impôs ao chefão do PT é completa, detalhada, farta em provas e depoimentos, rica na sua narrativa dos detalhes da máquina de corrupção petista, equilibrada, serena, discreta e praticamente inapelável.
Ao afirmar, já na conclusão da sentença que condenou Lula a 9 anos e meio de prisão e inabilitação para a função pública, que "não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você", o juiz Sérgio Moro não só reitera um princípio de sua atuação, mas a aspiração de todo um país e um grito de desabafo no meio do cansaço e desespero nacional: chega de ser uma república das bananas dominada por quadrilhas, bandos e famiglias.
O PT não foi o único partido - aliás, não há nenhum que se livre disso - a transformar a coisa pública em cosa nostra, mas foi o primeiro que o fez também com a intenção de perpetuar uma gangue no poder, sempre "roubando pelo bem do país".
O Brasil não andará para frente enquanto não virar a página do passado e Lula, esse bon vivant que enganou muita gente por muito tempo, é uma página policial que já passou da hora de ser virada.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

São os costumes, estúpido

"É a economia, estúpido". Essa frase definiu a eleição de 1992 nos Estados Unidos, vencida pelo democrata Bill Clinton. Mas será que vale para o Brasil?
Sim e não.
Sim porque a economia afeta diretamente a vida das pessoas, não porque o eleitor-médio brasileiro não tem saco ou disposição para prestar atenção em economês.
Os dois maiores partidos de fato no Brasil hoje são PT e anti-PT. E o nosso primeiro turno nada mais é do que o equivalente a uma eleição primária nos EUA, onde os dois partidos resolvem quem vão mandar para a batalha final, que no caso brasileiro é o segundo turno.
Diversas correntes à esquerda e à menos-esquerda (ainda falta uma direita genuína no país) se engalfinham na primeira etapa e terminam engolindo em seco e se unem na segunda. Esta é a grande questão.
E em 2018 o eleitorado não vai querer saber se foi o déficit primário, o desequilíbrio orçamentário ou a "banda diagonal endógena" que ferrou sua vida. Ele vai querer é voltar a comprar TVs de plasma no carnê, viajar de férias pela CVC e passear para tomar uma cerveja com a patroa na sexta-feira.
Lula irá prometer tudo isso e muito mais. Chamá-lo de populista em colóquios regados a brioche num hotel não vai mudar isso. O máximo que o partido anti-PT pode oferecer nesse caso é a mesma coisa- por diferentes métodos, é claro - ou já vai para urna como um perdedor.
O que pode diferenciar o anti-PT do PT é justamente o embate no campo dos costumes. O eleitor-médio é contra o casamento gay, a ideologia de gênero, o multiculturalismo, a abertura de fronteiras, o desarmamento, a leniência com criminosos, a doutrinação nas escolas.
É aí que se encontra o campo por onde o partido anti-PT poderá avançar e vencer eleições. Parece simples, mas não vi muita gente entender isso até agora.
É a economia, sim, estúpido. Mas também são os costumes.

domingo, 9 de julho de 2017

Direitista de esquerda

- Vou descurtir sua página porque você defendeu a família Bolsonaro.

- Desfaço amizade no Facebook com quem ficar contra meus amiguinhos da direita caviar.

- Não falo com ignorante que é contra a agenda globalista.

- Quem lê Fulano, por favor, me exclua.

- Meu post tem mais curtida do que o seu.

- Vai ler tudo o que eu li antes de discordar de mim, mesmo que o assunto seja a cor do céu.

- Quem é você para dizer que eu estou errado?

- Só fica contra mim quem deseja aparecer e ganhar notoriedade em cima da minha fama.

Na boa, sempre achei que essas viadagens só aconteciam na esquerda.

sábado, 8 de julho de 2017

A direita country club

Fique feliz ao saber que em Miami, nos Jardins, no Country Club ou no Gero, iluminados intelectuais do mais rarefeito escol da direita azevediana estão preocupados contigo a ponto de perderem preciosos momentos de repasto debatendo os destinos do país e o que é melhor para você.
Seja como você deve pensar, a forma como deve expressar isso, o que tem que fazer para ser um direitista esclarecido, um conservador que defende o bom e o belo e o elevado, e até qual candidato e partido representa melhor o que você pensa, as respostas estão todas nesses oráculos da imprensa escrita, falada, televisada, textãozada e tuitada.
Como alguém poderia contrariar um economista da PUC, um ex-banqueiro dono de partido, alguma sumidade com uma vitrine de MBAs no salão do apartamento no Leblon ou algum colunista famoso e influente - porque a "gente pequena" o fez assim - que determina como você deva pensar?
Merece ser chamado de escória, ignorante, iletrado, burro, limitado, etc., caso não se esforce para merecer uma festinha da Le Creuset do conservadorismo, a qual é de bom tom que retribua abanando o rabo e arfando.
O perigo é chegar na solidão da urna, sob a patrulha de mais ninguém além da sua vontade, e bater aquela vontade louca de contrariar.
O Brexit e o Trump aconteceram assim. Quem sabe o que pode acontecer por aqui, não é mesmo?

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Somos todos xucros

Direita "xucra" é o termo usado pelo ex-Veja, ex-Jovem Pan e ex-formador de opinião Reinaldo Azevedo para definir aqueles que não se enquadram nesse conservadorismo insípido defendido pela intelectualidade que orbita o PSDB e seus agregados.
Mas qual seria o termo ideal para definir esse grupo de reis filósofos que pretende conquistar o eleitorado e governar o país a partir de jantares no Rubayiat e coquetéis em clubes de bacanas?
Direita caviar? Direita azevediana? Direita golf club? Direita de veludo? Não sei ao certo o nome mais adequado para a turma, mas de umas semanas para cá praticamente todos resolveram colocar as manguinhas de fora e tentar impor suas opiniões na base da truculência mais petista possível.
Confundem de forma acochambrada conservadorismo e debate intelectual de alto nível com pedantismo e pernosticismo. Quem declara apoio ao Bolsonaro ou não adere aos ditames desta direita insossa é chamado de "xucro", "doente moral", "lumpesinato da direita", "ignorante", "iletrado", etc.
Parecem não entender que as pessoas hoje buscam um rompimento com o status-quo do país. Que cansaram deste establishment que considera soltar um ladrão que foi filmado correndo pelas ruas com uma mala de propina - enquanto mantém presa uma desempregada que subtraiu produtos no valor de 40 e poucos reais - a expressão do "estado democrático de direito" em pleno funcionamento.
O Bolsonaro - que precisa polir seu discurso, melhorar suas propostas, se preparar para uma eleição presidencial - só consegue o grau de popularidade que tem justamente por representar esta ruptura.
E não será um monte de gente com berço, linhas de crédito fartas ou penas bem pagas de jornais e rádios que dependem de propaganda estatal para sobreviver - reunidos em brunches e convescotes - que vão mudar isso.
O máximo que conseguirão é seguir ofendendo, xingando, zombando e trocando encômios numa espécie de "macaquinhos" do conservadorismo de free shop.
E, claro, levar surras do PT, conforme a história demonstrou em 2002, 2006, 2010 e 2014.
Mas e daí? O anti-petismo com seus livros, palestras, eventos, programas de rádio e TV, posts pagos e fundo partidário é mesmo um excelente negócio. Nesse caso perder, para eles, nem sempre é deixar de ganhar.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

República dos bacharéis

Vivemos na república dos bacharéis. O brasileiro não vê o diploma como um meio, mas como um fim. Daí a imensa quantidade de dentistas representantes de laboratório, advogados vendedores de carros, engenheiros donos de restaurante, psicólogos atuando no comércio e filósofos/sociólogos/cineastas/dramaturgos/etc., vivendo de bolsa do governo.
Em quase qualquer parte do mundo entrar para uma universidade confere ao cidadão a entrada num clube de oportunidades e sucesso. Investe-se pesado nisso, porque a sua vida vai mudar para muito melhor depois do "canudo".
Uma pessoa formada em medicina, engenharia, direito, odontologia, arquitetura, psicologia, entre outras, nos Estados Unidos, por exemplo, certamente aumentará em alguns milhares de dólares sua renda anual e seu padrão de vida.
No Brasil a única garantia é a de uma anuidade escorchante de algum conselho profissional inútil, além de dívidas para pagar e o direito à cela especial caso resolva entrar para a política e termine preso.
Mas não importa, o brasileiro quer o canudo, o governo considera uma meta final distribuir canudos e as pessoas se dão por satisfeitas.
O que mais existe aqui é gente sacar a pistola no meio de uma discussão e mandar um "no meu TCC", "na minha tese de mestrado/doutorado" ou apenas declarar que é autor de não sei o que, dá aula não sei onde e já trabalhou com não sei quem.
Pegue a academia brasileira inteira, analise e você vai concluir que mais de 90% são mais dispensáveis para a sociedade do que um gari, um mecânico ou um bom marceneiro.
Que são mal pagos do mesmo jeito, mas pelo menos são mais úteis.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Tem fã que é pior do que o artista

Só uma coisa consegue ser pior do que um artista cretino: seus fãs. Agora imagine essas divas pop, de muito "lacre" e pouca qualidade?
Esperar o que de gente que acampa meses na porta de uma arena para ver uma mulher fantasiada de frango ou pavão berrando até mostrar a úvula? Essa é a idéia de arte nestes tempos de "quem decide o que é arte, o que é bonito ou o que é feio?".
Você precisa se deparar com uma instalação composta por uma cama desarrumada, um penico com urina do "artista", duas latas de sardinha e uma luz acendendo e apagando e dizer: que interessante!
Ou simplesmente, na linguagem da juventude imbecilizada pelo ativismo em sala de aula: berro, tiro, lacrou, pisão, ata.
Voltando às divas pop e às celebridades-TMZ - a versão do colunismo social para a ideologia de gênero - todas começam de um jeito e vão ficando exatamente iguais.
O discurso, a aparência, as bizarrices, os ataques a tudo que é "tradicional", a adesão total ao feminismo tosco. Nelson Rodrigues dizia que o feminismo quer transformar a mulher num macho mal acabado.
Os cabelos joãozinho estilo barbeiro de 5 reais e as roupas de skatista do Capão Redondo que as moças resolveram usar para se "empoderar" dão razão ao velho. Fora o resto.
E ainda tem os fãs.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Janot protege petistas?

Proteger talvez seja demais, mas parece que, para usar sua própria figura de linguagem, tem menos bambu para dar flechada nestes do que nos demais.
Os artistas do PSDB e do PMDB não são mambembes, mas convenhamos, na crônica política-policial brasileira da última década foram apenas acessórios.
Concordo que a seletividade e apetite de Janot em derrubar inimigos do PT - enquanto empurra com a pança avantajada os facínoras petistas para debaixo do tapete - favorece a narrativa petista e o futuro do chefe do bando.
Mas só há um problema aí, de ordem factual: malas de dinheiro.
O primo do Aécio e o assessor pessoalíssimo do Temer entufando malas e cuecas com dinheiro sujo, na sequência de conversas vadias interceptadas, são fatos impossíveis de ignorar.
O PT não os obrigou a chafurdar no açougue da JBS. Fizeram porque quiseram.
O problema aí está na PGR não dar aos marginais do PT o mesmo tratamento que deu aos marginais das demais agremiações.
Lula não é e nem jamais será uma nota de rodapé, será sempre manchete.
Mas merece companhia lá pela terceira página.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Tributar as Igrejas, sim ou não?



Se depender de mim a resposta é simples: pra quê? Para coletar mais dinheiro para o estado doar aos Eikes Batistas, Marcelos Odebrechts e Joesleys da vida?

Se tem uma coisa que me choca no brasileiro - esse palhaço que entrega 5 meses de trabalho por ano ao governo - é a sua defesa quase unânime da arrecadação, na forma de condenar quem foge dela e/ou exigir a tributação de quem é isento.

É como pular numa água cheia de tubarões e ao invés de fugir das dentadas reivindicar que mais pessoas sejam atiradas ali.

Fugir dos impostos no Brasil é um ato patriótico. Os republicanos da era Reagan diziam "starve the beast", ou seja, mate o monstro de fome, e veja que o "monstro" americano pelo menos oferece o que morde de volta em forma de serviços.

O monstro brasileiro devora tudo e devolve aos seus provedores apenas os próprios excrementos. Ou você acredita mesmo que com MAIS dinheiro Brasília e demais capitais passariam a oferecer serviços um pouco melhores para a macacada ao invés de dar MAIS de mamar para Sarneys, Renans Calheiros, Rodrigos Maias, Lulas e o resto das famiglias?

O Rio, lugar onde se pagam impostos imorais e a vida custa uma fortuna, não passa de uma favela gigante cercada por água podre por todos os lados. O Rio, como os cariocas adoram dizer, é mesmo o retrato do Brasil. Ruim, corrupto e caro.

Logo, tributar Igrejas por quê? Para sobrar menos para as que mantém obras sociais que certamente não seriam absorvidas pelos coletores de impostos?

O dinheiro doado por fiéis já foi mordido pelo IR, ISS, ICMS, PIS, Cofins, etc., etc., etc. Tributar a Igreja seria tributar duas vezes quem doa e já pagou imposto. 

Que tara de molhar as calças é essa de vocês com o estado?

Por isso o país tem duas soluções: a sonegação justa em massa ou uma reforma que tire do lombo de quem produz o peso dos parasitas que infestam todos, literalmente todos os poderes.

Ao invés de mandar o boleto de arrecadação para o padre ou o pastor, aja para que mandem menos boletos para você. 

Fuja do tubarão.