quarta-feira, 19 de julho de 2017

A quem servem os servidores?

O Brasil é a capital mundial do concurseiro. Não sei se existe esse fenômeno em outro lugar do mundo, mas o sonho da maioria das pessoas no país tropical é passar num concurso, conseguir estabilidade no emprego, dinheiro certo no fim do mês e o direito de reclamar das "péssimas condições e salários" até se aposentar.
Na maioria dos lugares civilizados e com saneamento básico tornar-se servidor público é exatamente isso: serviço. No Brasil não, na terra da favelização alegórica virar funcionário público é ter acesso a um mundo de facilidades, mordomias, pouco trabalho e média salarial acima do resto da macacada.
Não é normal e jamais deveria ser que um profissional liberal, empregado do setor privado ou pequeno empresário ganhe menos do que um auditor, um auxiliar de cartório, um fiscal de alguma coisa, um carimbador de não sei o que ou um assessor do assessor do assessor.
E isso se reflete na política: todo mundo que se mete a ajudar algum político só tem uma coisa na cabeça, a sonhada boquinha.
Por isso, segundo levantamento divulgado pelo jornalista Cláudio Humberto, só as agências reguladoras já empregam mais de nove mil pessoas. Vigilância sanitária, telecomunicações, petróleo, a Anac (que só regula a defesa dos interesses das empresas aéreas) e a inútil Ancine.
Somente na agência reguladora dos "cineastas", o gasto é de 83 milhões. E assim, o que seria para mediar a relação do estado com empresas e mercados vira um Taj Mahal de bons vivants.
A fome é tanta que o ano de 2016 foi o primeiro, desde 2003, em que o número de boquinhas no governo federal ficou abaixo de DEZOITO MIL. Para simples comparação, o presidente dos Estados Unidos tem direito de nomear menos de 2 mil postos diretos.
Junte-se aos gordos salários pagos a toda essa gente as bonificações, ajudas de custo, planos de saúde e dentário, vale transporte, ticket refeição e alimentação, gratificações, etc., e entenda porque se até uns anos atrás a plebe pagava 4 meses de trabalho em impostos, hoje paga 5 meses.
E o governo já anda avisando que "não há dinheiro" e que talvez precise aumentar a coleta.
Claro que precisa, afinal, os "servidores" precisam se servir.
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