segunda-feira, 10 de julho de 2017

São os costumes, estúpido

"É a economia, estúpido". Essa frase definiu a eleição de 1992 nos Estados Unidos, vencida pelo democrata Bill Clinton. Mas será que vale para o Brasil?
Sim e não.
Sim porque a economia afeta diretamente a vida das pessoas, não porque o eleitor-médio brasileiro não tem saco ou disposição para prestar atenção em economês.
Os dois maiores partidos de fato no Brasil hoje são PT e anti-PT. E o nosso primeiro turno nada mais é do que o equivalente a uma eleição primária nos EUA, onde os dois partidos resolvem quem vão mandar para a batalha final, que no caso brasileiro é o segundo turno.
Diversas correntes à esquerda e à menos-esquerda (ainda falta uma direita genuína no país) se engalfinham na primeira etapa e terminam engolindo em seco e se unem na segunda. Esta é a grande questão.
E em 2018 o eleitorado não vai querer saber se foi o déficit primário, o desequilíbrio orçamentário ou a "banda diagonal endógena" que ferrou sua vida. Ele vai querer é voltar a comprar TVs de plasma no carnê, viajar de férias pela CVC e passear para tomar uma cerveja com a patroa na sexta-feira.
Lula irá prometer tudo isso e muito mais. Chamá-lo de populista em colóquios regados a brioche num hotel não vai mudar isso. O máximo que o partido anti-PT pode oferecer nesse caso é a mesma coisa- por diferentes métodos, é claro - ou já vai para urna como um perdedor.
O que pode diferenciar o anti-PT do PT é justamente o embate no campo dos costumes. O eleitor-médio é contra o casamento gay, a ideologia de gênero, o multiculturalismo, a abertura de fronteiras, o desarmamento, a leniência com criminosos, a doutrinação nas escolas.
É aí que se encontra o campo por onde o partido anti-PT poderá avançar e vencer eleições. Parece simples, mas não vi muita gente entender isso até agora.
É a economia, sim, estúpido. Mas também são os costumes.
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