terça-feira, 25 de julho de 2017

Só a fraude resolve

O enredo é o seguinte: cuidado com o Lula. Por isso é melhor apoiar um candidato mais ponderado, de centro, "agregador" para "ganhar fácil" do PT.
Afinal isso deu tão certo em 2002, 2006, 2010 e 2014, não é mesmo?
Eu sinto cheiro de narrativa de longe e o que vemos aqui e ali é o nascimento de uma novinha em folha: o segundo turno será muito perigoso, um passo em falso e isso aqui vira a Venezuela.
Quem pensa assim está achando que o eleitor vai se contentar - de novo - com um candidato que diga coisas como "o PT sempre foi contra o Brasil", quando ele quer ouvir é um candidato que diga "o PT tem que acabar, ser destroçado, varrido e enterrado debaixo de sal".
Um tal de Celso Rocha de Barros, um "doutor em sociologia pela Universidade de Oxford" que ironiza o Trump fazendo alusões ao tamanho de seu órgão genital, afirmou que as chances de vitória de Jair Bolsonaro são a "desistência de um Brasil moderno".
Sim, porque este é um baita país moderno, com tudo funcionando, boa qualidade de vida, segurança, tecnologia, custo de vida baixo, educação em alta, criminalidade em baixa, saúde em alta, não é?
Imagina que horror dar um chute na cara do Lula, do Sarney, Renan Calheiros, Sérgio Cabral, Romero Jucá e outros piolhos que há décadas têm a política como ocupação e eleger Bolsonaro ou algum outro "outsider"?
Não, essas instituições maravilhosas que temos merecem ser mantidas.
O que os políticos tradicionais agora vão tentar te convencer é que votar contra mais uma das suas "concertações" vai por a perder tudo o que você nunca teve (por culpa deles).
Então aqui vão algumas dicas gratuitas para os incautos:
Quem acha mesmo que vai vencer eleição fazendo reunião em clube de ricaço e restaurante de grã-fino é porque está desconectado da realidade.
Quem acha exageradas as reações a mais aumento de impostos é porque está desconectado da realidade.
Quem acredita que o cidadão vai "compreender" que tem que fazer mais sacrifícios para sustentar uma corte em Brasília e no funcionalismo público em geral é porque está desconectado da realidade.
Quem pensa que a segurança pública não está no topo das preocupações de quem não anda de carro blindado com seguranças armados está desconectado da realidade.
E quem se iludir imaginando que o eleitor não vai para a urna em 2018 com raiva e vontade de destruição é porque está desconectado da realidade.
O eleitor quer sangue, e vai ser na solidão da cabine de votação que ele vai dar vazão ao seu lutador de UFC adormecido.
Só a fraude resolve.
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