sexta-feira, 7 de julho de 2017

Somos todos xucros

Direita "xucra" é o termo usado pelo ex-Veja, ex-Jovem Pan e ex-formador de opinião Reinaldo Azevedo para definir aqueles que não se enquadram nesse conservadorismo insípido defendido pela intelectualidade que orbita o PSDB e seus agregados.
Mas qual seria o termo ideal para definir esse grupo de reis filósofos que pretende conquistar o eleitorado e governar o país a partir de jantares no Rubayiat e coquetéis em clubes de bacanas?
Direita caviar? Direita azevediana? Direita golf club? Direita de veludo? Não sei ao certo o nome mais adequado para a turma, mas de umas semanas para cá praticamente todos resolveram colocar as manguinhas de fora e tentar impor suas opiniões na base da truculência mais petista possível.
Confundem de forma acochambrada conservadorismo e debate intelectual de alto nível com pedantismo e pernosticismo. Quem declara apoio ao Bolsonaro ou não adere aos ditames desta direita insossa é chamado de "xucro", "doente moral", "lumpesinato da direita", "ignorante", "iletrado", etc.
Parecem não entender que as pessoas hoje buscam um rompimento com o status-quo do país. Que cansaram deste establishment que considera soltar um ladrão que foi filmado correndo pelas ruas com uma mala de propina - enquanto mantém presa uma desempregada que subtraiu produtos no valor de 40 e poucos reais - a expressão do "estado democrático de direito" em pleno funcionamento.
O Bolsonaro - que precisa polir seu discurso, melhorar suas propostas, se preparar para uma eleição presidencial - só consegue o grau de popularidade que tem justamente por representar esta ruptura.
E não será um monte de gente com berço, linhas de crédito fartas ou penas bem pagas de jornais e rádios que dependem de propaganda estatal para sobreviver - reunidos em brunches e convescotes - que vão mudar isso.
O máximo que conseguirão é seguir ofendendo, xingando, zombando e trocando encômios numa espécie de "macaquinhos" do conservadorismo de free shop.
E, claro, levar surras do PT, conforme a história demonstrou em 2002, 2006, 2010 e 2014.
Mas e daí? O anti-petismo com seus livros, palestras, eventos, programas de rádio e TV, posts pagos e fundo partidário é mesmo um excelente negócio. Nesse caso perder, para eles, nem sempre é deixar de ganhar.
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