quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Procura-se um estadista

Dizem que Temer deve ficar em nome da economia e da "estabilidade". Que estabilidade? A que garante ao estabilishment o direito de viver num padrão muito acima do resto do país?
E não se engane: sempre que um deputado falar que está votando "pela economia", é do próprio saldo bancário que ele fala.
Dizem também que precisam que você concorde em se aposentar aos 65 anos, com uma fortuna de 1 mil a 2 mil reais, porque senão o país quebra. Claro, afinal, os juízes, desembargadores e demais sultões do poder público precisam garantir seus 20, 30, 50 e até 100 mil por mês de "benefício".
Hoje existem no Brasil exatamente 99.817 cargos em comissão, segundo o jornal Correio Brasiliense. Temer cortou alguns, mas na sua luta para não cair já renomeou quase 500 encostados. Fora as emendas. Fora o resto que só podemos supor em troca dos 200 e poucos votos que salvaram seu pescoço da justiça.
Dizem que você precisa "fazer sacrifícios" para "salvar o país". Dizem que você precisa aceitar os bons ladrões senão o PT volta. Será?
Enquanto o governo mantém o cidadão sufocado, quer cortar tudo o que der e coletar mais impostos, criar um cargo sequer é de uma imoralidade tão grande que já justifica derrubar a república inteira. Mas eles não ligam para isso.
A festa é deles. A comédia de mau gosto é deles. A conta é sua.
E o Lula é um excelente bicho-papão, afinal, "vamos deixar o Temer aí, senão ele volta", "vamos aceitar as covardias do PSDB, senão ele volta", "vamos aguentar qualquer tranco, senão ele volta".
O país precisa de um estadista, alguém que compreenda que é obrigado a dar o exemplo.
Chega de carro oficial, verba de gabinete, séquito de puxa-sacos bem pagos, passagens, cartões. Pode representar uma economia desprezível numericamente, mas vai mostrar para o resto do país que eles também vão sentir o calor.
Dirão que isso está no campo da "emoção" e não da economia. Que cortes, reformas e mais sacrifícios são necessários não importando o que as pessoas sofram.
Mas o engenheiro demitido que está dirigindo um Uber 12 horas por dia e vai pagar mais pelo combustível porque o governo precisa de mais dinheiro para sustentar a corte certamente vai te dizer que emoções valem muito.
Não dá para pedir sacrifícios para a plebe enquanto a corte continua se refestelando.
Mas precisamos de um estadista para isso. E isso é justamente o que não temos.
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