sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

O país que detesta o trabalho

Uma página do Facebook chamada "Vagas Arrombadas" faz o maior sucesso. Sua premissa é mostrar vagas de emprego que, de tão ruins, só podem ser piada.
Mas a verdadeira piada é o mercado de trabalho brasileiro.
O sonho de 9 entre 10 cidadãos do país é passar num concurso público. Para trabalhar de verdade? Não. Para melhorar o padrão dos serviços prestados? Não. Apenas para receber um salário acima da média e ter "estabilidade no emprego", outro nome para muitos direitos e quase nenhuma cobrança.
Não é normal e nem racional que burocratas ganhem mais do que gente que realmente produz. Não é saudável que um carimbador de processos ou fiscal da natureza ganhe mais do que um empresário ou engenheiro ou dentista ou comerciante ou etc.
Só que é assim que funciona no país onde trabalho não garante nada além de mais trabalho.
Em paragens mais civilizadas são normais histórias de pessoas que começam lavando pratos e terminam donas de restaurante. Começam vendendo sapatos e terminam donos de várias lojas. Servem mesas para pagar os estudos e terminam como profissionais bem pagos e produtivos.
No Brasil o balconista muito provavelmente vai se aposentar como balconista, assim como a faxineira, o garçom, etc. Trabalho no país não significa ascensão social, upgrade na qualidade de vida, dinheiro para dar um futuro melhor para a geração seguinte.
Um mercado hiper regulado, leis anacrônicas que engessam a criatividade, carga tributária imoral e o peso de carregar o inchado setor público nas costas tornam a iniciativa privada um ambiente inóspito, daí a profusão de "vagas arrombadas".
Anúncios procurando advogados pelo salário de R$ 1.500, vendedores por R$800 + 2% de comissão, "estágios" pagando 400 reais e oferecendo o complemento em "café e videogames" no ambiente de trabalho, escalas de 6x1 com jornadas de 12 horas sem direito a hora-extra, enfim, propostas bizarras que se aproveitam do desespero das pessoas.
O desemprego deixado pela irresponsabilidade petista apenas potencializou este desprezo que o país tem para com o trabalho. Tudo o que um brasileiro sonha é não precisar se submeter a estas condições ridículas.
A qualidade dos empregos e salários oferecidos já basta para saber como a oferta de trabalhadores é muito maior do a procura, como a baixa qualificação e o alto custo das vagas desestimulam a mobilidade e por que o Brasil é um país onde o trabalho duro e honesto dificilmente leva a pessoa a lugar algum, no máximo a mantendo longe da fome.
E convenhamos, é muito triste um lugar no qual trabalho não significa elevação pessoal, mas tão e somente uma fuga conformada da miséria.
E não muito além disso.
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