quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A demissão da Globeleza

Minha avó era uma senhorinha que ia na Missa toda semana e rezava o Terço todo dia. Nasceu na década de 30 do século passado, numa família conservadora como era normal na época, noivou aos 17 anos, casou aos 18 e aos 21 já tinha duas filhas, perdendo uma para a meningite.
Não dá para dizer que ela entenderia a cabeça do mundo de hoje e nada seria mais diferente - quase extra-terrestre - para ela do que um "millennial".
Pois esta senhora do século passado conviveu durante anos com a "Globeleza" Valéria Valenssa (assim mesmo com dois esses) sem sequer emitir um muxoxo. Da mesma forma convivia com a travesti Rogéria na TV e um pouco mais tarde com a Roberta Close.
Ela passava na frente da televisão, olhava aquilo e seguia para fazer qualquer coisa que estivesse fazendo.
Mas a nova geração que luta por direitos e defende que a mulher faça o que quiser do próprio corpo se escandaliza com o que a velhinha que nasceu em 1931 achava perfeitamente normal.
Mulata dançando com o corpo seminu é objetificação. Travesti aparecendo em shows e programas é "tapa na cara da família tradicional". E por aí vai.
Em 2017 vestiram a Globeleza. Parecia uma pastorinha da época do Noel Rosa. E em 2018 finalmente resolveram aposentá-la, colocando uns casais (muito) vestidos de roupas típicas de várias regiões do Brasil.
Ficou parecendo um corso ou uma daquelas antigas sociedades.
Em época de "marchas das vadias" e nome do "empoderamento", vestiram a mulher à força. E em tempos de luta pela tal "visibilidade" das minorias, tiraram o emprego e a visibilidade de uma negra.
Parabéns, geração batuta, vocês são uma brasa!
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