terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A direita casaquinho queria Château Latour, mas o Bolsonaro está mais para Sangue de Boi

Tenho visto por aí gente tentando de todas as formas "classificar" a direita para colocar seu grupo dentro da "direita boa" enquanto o de fora seria a "direita ruim".
Se pelo menos alguma coisa o Reinaldo Azevedo tem que preste nesse caso foi a originalidade, já que partiu dele a primeira divisão: a direita "xucra", que discordava de sua megalomania e a direita "inteligente", que continuava aceitando sem muito questionamento as verdades do "tio Rei".
Dessa primeira classificação vieram as outras, sempre colocando eleitores e apoiadores do deputado Jair Bolsonaro como "ignorantes", "temerários", "ressentidos", "loucos", "iletrados" e por aí vai.
Entendo que a direita casaquinho (a turma do casaquinho do ombro e dos colóquios em salões de chá) esteja desconfortável com essa gente pequena se dizendo "de direita" e "conservadora" como eles. Esse pessoal que compartilha opiniões no grupo do Whatsapp da família, comete erros de português, tem aquele sangue quente de quem não pensa política com "isenção" ou "sem paixões", finalmente saiu do jugo intelectual da esquerda e resolveu mostrar a cara.
O indivíduo pode ser um caixa de banco, dono de papelaria, mecânico de automóveis, representante comercial, aposentado, dona de casa. Mas todas essas pessoas entenderam o básico: muito estado atrapalha e encarece a sua vida e engenharia social só presta para perverter a mente do seu filho e destruir o conceito normal de família.
Para quem viveu num país que até ontem aceitava que dissessem que Che Guevara foi um "herói" sem que, espantado, o interlocutor cuspisse o que estivesse bebendo no ato, é uma baita evolução.
O Partido Republicano nos EUA não vence uma eleição se os caipiras, brancos de classe média e a base evangélica não sair de casa. Estamos falando do hillbilly de chapéu de cowboy e carabina mão.
Dificilmente alguém vencerá a esquerda no Brasil se não conquistar o coração do cidadão médio.
Mas nossos reis filósofos de casaquinho no ombro fantasiados de Churchill preferem destratar essa gente e atacá-los com uma voracidade que não atacaram (e nem atacam) Lula, Dilma ou os petistas. E de quebra o único candidato que se declara de direita e conseguiu mobilizar uma base relevante.
O Bolsonaro pode ser recém-convertido para uma posição de estado-mínimo, mas o que ele diz nesse momento não difere em nada do que diz, por exemplo, o queridinho dos jantares no Rubaiyat, João Amoedo, do partido Novo.
Em relação aos costumes, ele diz exatamente o que a direita digna desse nome diz em qualquer lugar do mundo: contra ideologia de gênero, contra casamento gay, a favor do porte de armas, contra a liberação das drogas.
O problema então não é o conteúdo, mas a forma. Nossos sommeliers da direita o consideram "popular demais", "erudito de menos", não acham o buquê adequado. Ele está mais para Sangue de Boi do que para Château Latour.
E ao invés de aproveitar este movimento, aliar-se e moldar o que for possível, não, estão fazendo o trabalho da esquerda e matando a novíssima direita brasileira ainda no berço. Devem sentir saudades da época em que eram "indies" da política.
Viviam reclamando que o Brasil não tinha um político assumidamente de direita e quando este finalmente apareceu, decidiram que ele era "direita demais".
Vão lamber sabão.
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