quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A eleição de 2018 e o futuro

Na sexta-feira, 5 de janeiro, foi anunciado que o deputado Jair Bolsonaro se filiaria ao PSL para concorrer à presidência e assim dava um cheque-mate no movimento liberal "Livres", que até uma semana antes caçoava do deputado chamando-o de "sem teto".
O cálculo dos esquerdistas de azul era que o deputado teria dois possíveis destinos: ficar sem partido para se candidatar a presidente e ter que se abrigar em alguma legenda para tentar um cargo no legislativo ou, melhor ainda, desidrataria rapidamente e deixaria seus eleitores à mercê da sedução da "direita" (aspas necessárias) de cachecol na sua guerra de fancaria contra a esquerda de vermelho.
Não aconteceu nem uma coisa nem outra, e já no mesmo final de semana a Folha de São Paulo sacou uma das suas reportagens de gaveta e, possivelmente ignorando a diferença entre valor venal e valor de mercado, "acusou" o deputado de ser proprietário de imóveis que estão declarados na justiça como seus.
A pancadaria nas redes sociais beirou o nível de um pré-segundo turno e saiu gente de tudo que é lugar para tentar "terminar de desmontar" sua candidatura. Só alguém muito ingênuo acreditaria que isso é obra de petistas, mais preocupados com o julgamento do Lula no final de janeiro.
Há, sim, por parte daqueles que apresentavam como maior qualidade o fato de não serem o PT, muito interesse em tirar logo Jair Bolsonaro do tabuleiro e "enquadrar" seus eleitores.
Muito provavelmente se as patotas do Serra, Alckmin ou Aécio tivessem atacado o Lula e a Dilma com a mesma vontade que fazem com o Bolsonaro, não tivéssemos 13 anos de PT.
O pior é que nem acho que o Bolsonaro devia ser candidato a presidente. Estrategicamente seria mil vezes melhor sair como deputado, eleger uma bancada robusta e fortalecer o seu movimento em um partido ou tentar o senado.
Com essa candidatura para presidente ele corre o risco de ficar sem mandato ou, pior, ser eleito e apeado por um congresso que é sujo e vai ser hostil.
Meu maior interesse é erguer algo a partir daí. Fazer desse movimento uma estrutura sustentável e dinâmica que realmente faça da direita um ator relevante e perene na política brasileira.
Isso é maior do que a eleição de 2018.
Mas Bolsonaro, com seus muitos erros, exageros e deficiências, é inegavelmente o ÚNICO candidato assumidamente de direita que o país tem desde antes da intervenção militar de 1964. E curiosamente nunca vi tucano e/ou liberal atacar nem o PT desse jeito. A pergunta é: mas interessava?
Daqui a 100 anos a eleição de 2018 vai ser apenas uma comparação de porcentagens num verbete da Wikipédia. O grande lance é como o país vai atravessar esses 100 anos até lá.
0 Comentários