quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A tolerância da afronta

Pode perceber: toda vez que alguém enche o saco de ligar a TV e ver algum programa ou novela dando lição de moral e fazendo panfletagem sobre gays ou transsexuais, toda vez que alguém reclama que aquele portal da internet não muda o assunto, que alguém percebe que o artista tal resolveu apoiar a agenda LGBT para sair da geladeira (alô, Ed Motta!), quando alguém ironiza a 3440232ª notícia sobre "casamento" gay em algum lugar do mundo (acho que ainda falta a Arábia Saudita e Tuvalu), enfim, quando as pessoas se "rebelam" contra essa gaiola das loucas que não sai de cena e dá a impressão de que 99% da população está "dentro do armário" esperando ser "libertada", as respostas da militância são sempre as mesmas:
- Heterossexualidade frágil.
- Vai ter gay até na TV Globinho sim.
- Cala a boca, fiscal de c*.
Entre outras variações e memes da Gretchen e dos Power Rangers.
Primeiro confundem saco cheio com "heterossexualidade frágil", como se hoje em dia não fosse até mais fácil para fazer networking e ficar bem na fita se dizer gay. Vê o Kevin Spacey. Foi acusado de molestar jovens sexualmente. Sua resposta? "Sou gay, galera, aplaudam minha coragem aí".
Depois jamais vou entender essa fixação pela afronta. "Vai ter gay SIM!". Quem disse que não deve ter? Garanto que a maioria das pessoas nem ligaria se não fosse algo praticamente ostensivo, forçado e que sobre-representa uma parcela da sociedade.
E finalmente o "fiscal de cu". Gays podem e devem ser representados? Lógico que sim. Novela? OK. Mas TODA novela? Filme, seriado? Beleza, mas precisa TODO FILME OU SERIADO ter o regulamentar casalzinho lésbico que vive mais feliz do que todos os héteros do mundo? Programa de TV? Show de bola, mas é mesmo obrigatório começar no Globo Rural falando da homossexualidade caprina e terminar no Bial falando sobre, como disse o Ratinho, "viadagem" mesmo?
Tenho certeza de que a maioria dos gays, aqueles que trabalham, estudam, vivem sua vida e têm no fato de ser gay apenas MAIS uma de suas características e não algo que norteia suas vidas e as define, também ficam constrangidos com esse show que só impressiona cabeças fracas e adolescentes bobalhões que trocaram a rebeldia do "rock" pela do "arco-íris".
Experimenta só tirar o seu c* da cara dos outros para ver como elas não vão fazer a menor questão de fiscalizá-lo.
0 Comentários