sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O pobre e o pobre alegórico, a mulher e a mulher alegórica

Funk não é música, é discurso barulhento. Vamos deixar isso bem claro antes de qualquer coisa. Mas serve ao propósito de emburrecer e embrutecer o "povo" enquanto os virtuosos desconstruidões juram defender este mesmo povo.
É raro o "intelectual" que defende o funk como "manifestação artística do oprimido" e escute aquilo em casa. No máximo no final de alguma festinha de casamento nesses salões de festa que cobram mais de mil reais a cabeça. Em casa é só Chico, Caetano e João Gilberto.
Convenhamos que alguém que conviva pacificamente com músicas (e até teses de mestrado) de artistas que lançam músicas com nomes como "hoje eu não vou dar, vou distribuir", "minha pussy é o poder", "larguei meu marido, agora virei puta" ou "um otário pra bancar", não tem muita condição de reclamar de uma tal "só surubinha de leve", que, segundo consta, "incita o estupro".
Eles devem querer dizer que incita MAIS o estupro, só pode.
Concordo que essas excrescências deveriam receber o mesmo tratamento que um filme pornô sobre bestialismo, mas EU posso dizer isso, já que não enxergo nenhuma "música" desse estilo como manifestação ou grito dos "oprimidos", apenas como lixo.
Por outro lado a esquerda, que incentiva isso, que acha uma maravilha ONGs subirem favelas para ensinar aos jovens como bater lata, fazer funk ou jogar capoeira - ao invés de aprender contabilidade, mecânica, marcenaria, inglês - não tem esse direito.
Mas quem diz que eles são coerentes? Veja o caso das mulheres nas propagandas de cerveja. As mesmas que acham bonito tirar a roupa para protestar contra qualquer coisa em qualquer lugar condenam que uma modelo ganhe dinheiro se exibindo ao lado de um copo de cerveja.
São duas agendas conflitantes que eles usam e abusam sem medo do ridículo: o feminismo que proíbe comercial de cerveja com mulher seminua e o progressismo que apóia mulher pelada invadindo Igreja e até criança alisando homem nu em exposição de "arte".
Marx quando estava pesquisando sobre as relações de trabalho na Inglaterra e se deparava com algum dado que não corroborava com a sua tese simplesmente descartava o dado. E eles são iguais ao seu guru.
Defender mulher pelada invadindo um evento religioso e proibir mulher pelada num comercial de cerveja é incoerente, esquizofrênico, ridículo? É. Então o que eles fazem?
Desprezam o princípio "ser contra ou a favor de algo coerentemente" e justificam a incoerência com argumentos emocionais: a Igreja é uma instituição opressora assim como a indústria, sendo assim defendemos a "MULHER" contra ambas tirando ou botando a roupa.
Com o funk é mais ou menos a mesma coisa. A Valesca Popozuda cantando abjeções vale porque é mulher, oprimida, etc., etc. O MC Diguinho é homem, logo é apologia ao estupro, ainda que ele seja negro e favelado (de acordo com o assunto essas cartas de Super Trunfo mudam de valor).
Mas e a mulher que prefere andar vestida ou nua, de acordo com a sua vontade?
Não é mulher o bastante.
E o pobre que prefere ouvir um jazz, estudar francês e só queria uma oportunidade para isso?
Não é pobre o bastante.
São traidores da própria classe, conforme determinam os revolucionários ricaços em seus apartamentos.
E não ousem contrariá-los, afinal, você não quer atrapalhar quando eles estão muito ocupados curtindo um uisquinho ouvindo Miles Davis.
0 Comentários