quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A corte tropical de Maria Antonieta

Hoje um ministro do STJ disse no Twitter que os juízes daquela corte têm uma missão "quase divina".
Fora do ambiente das cortes, onde são cercados pelos habituais puxa-sacos e louvaminheiros, e exposto à selva das redes sociais, logo teve que ler respostas como "deve ser por isso os salários olímpicos" e "daí a se acharem no direito de mordomias".
Prontamente ele saiu insultando as pessoas, dizendo que estas "não sabem ler" e mandando os descontentes "fazerem concurso públicopara terem direito às regalias". Ao fim deve ter voltado para seu gabinete, onde o séquito de serviçais tem um efeito melhor para o ego do que o espelho, espelho meu, da história da Branca de Neve.

E isso aconteceu logo na mesma semana em que outro juiz, Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, se envolveu numa polêmica nas redes sociais por conta de um auxílio-moradia que ele e a esposa, também juíza, recebem ainda que morando na cidade onde sempre viveram.
Nenhum cidadão comum tem direito a este tipo de penduricalho. Se você mora na cidade A e recebe um convite de trabalho na cidade B, vai fazer as contas e verificar se, descontadas as despesas, tal mudança é interessante. Não vai simplesmente virar para seu novo empregador e dizer: me dá aí a grana do aluguel.
Como bem observou o colunista Ricardo Rangel, Bretas não se contentou apenas com um auxílio moradia, que possivelmente paga um belo apartamento num bom bairro do Rio, mas precisou ir à justiça pedir que sua mulher também recebesse, talvez para acomodar mais confortavelmente os dois egos num apartamento maior.
Sua resposta ao questionamento das redes sociais não foi grosseira como a do juiz do STJ, mas talvez tenha sido até pior, tamanho o deboche e a falta de conexão com o mundo real.
Sarcástico, disse que tem o “defeito” de buscar na justiça o que acha que é seu de "direito". Nada de desculpas, nada de abrir mão da prebenda, simplesmente o deboche: um casal que, junto, recebe em torno de 50 mil reais de salário por mês, ainda se acha certo ao recorrer ao corporativismo judiciário para embolsar mais 8 mil.
Sozinho o judiciário custou 84 bilhões de reais aos cofres públicos em 2016.
Isso tudo mostra como é urgente uma emenda ou reforma constitucional que mexa de maneira determinada neste poder. Não é compatível com a situação da maioria da população do país ou com qualquer medida de decência que promotores, juízes, desembargadores e ministros ganhem 30, 50, 100 mil reais por mês, fora as mordomias.
Essa gente toda precisa ser tirada do mundo da Lua e trazida à Terra urgentemente, ainda mais porque com raras e honrosas exceções como a operação lava-jato, o que produzem não justifica o que ganham.
0 Comentários