segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A geração problematizadora e mala sem alça

O Globo publicou até com certo orgulho uma reportagem sobre a geração atual assistindo e "problematizando" seriados dos anos 90. O texto fala sobre alguns jovens - que se forem espertos, envelhecem o mais rapidamente possível - como Eliza, que era uma criança na época do famoso seriado "Friends" e que hoje, tadinha, se incomoda com tanta homofobia, gordofobia, misoginia e a "ausência de negros" no programa. Esses "jovens" - não dá para saber ao certo o quão jovens são, já que a adolescência hoje em dia parece durar até os 35 - têm uma "postura crítica" e vêm "desconstruindo" produtos culturais das gerações anteriores, comemora o repórter militante. Um deles chega a admitir: "somos a famosa geração mimimi, tudo é problematizado". E dão o aviso, em tom de ameaça: não há mais carta-branca para expor preconceito na indústria do entretenimento. A reportagem prossegue dizendo que filmes sofreram ameaça de boicote por mostrarem "brancos demais", youtubers foram achincalhados por piadas consideradas "transfóbicas" e editoras americanas estão contratando "leitores sensíveis", para ler as obras antes da publicação e cortar trechos "ofensivos". Tudo para "reeducar" empresas e pessoas, com a intenção de que estas se policiem e evitem "deslizes" que possam ser "problematizados" na internet. Uma das consultoras entrevistadas disse que "a gente que trabalha com entretenimento está mais atento para certas questões, vejo que as piadas estão mais contidas, mas mesmo com um filtro maior acho que ainda dá para ser criativo". Mas não pense que apenas "Friends", "Sex and the City" ou "Gatinhas e Gatões" são vítimas da geração que nada produz e tudo quer "desconstruir". Até o Pica-Pau entrou na roda, acusado de ser desonesto e sempre se dar bem. O que acontece é que toda essa gente chata e mala sem alça foi criada numa sociedade onde tudo é mais fácil para eles. Desde a família dizendo que são brilhantes, escolas dando medalha de participação, pais "negociando" e sendo coleguinhas ao invés de educar, muita oferta de entretenimento rápido e de fácil acesso, ou seja, nunca tiveram que se esforçar muito por nada. Lembro que na minha infância tínhamos uns 5 canais de TV. Era assistir a um deles e pronto. Reclamações? Só enviando alguma para a "cartas à redação" de um jornal. Filmes só no cinema ou na videolocadora e música só na rádio, vinis ou copiando fitas cassete. Fomos forjados com uma das melhores ferramentas educacionais: a frustração. Educar é frustrar. É mostrar para o indivíduo que ele não pode tudo e que o mundo nem sempre vai se moldar às suas vontades. A falta disso é que faz essas crianças de 20 e 30 anos hoje em dia agirem como bebezões mimados que tudo esperneiam e por tudo se ofendem. Vivem em bolhas, consumindo apenas o que já reforça o que sua educação precária e militante enfiou nas suas cabeças e se chocam ao descobrir que nem todo mundo pensa igual. Falam tanto em diversidade, mas não suportam nem uma dose leve dela. Daí partem para a "problematização", a vitimização e a censura pura e simples. Afinal, vamos falar sério, é numa sociedade na qual um filme é boicotado e perseguido por ter muitos personagens brancos que você quer viver? Ou onde "leitores sensíveis" decidem o que você pode ler? Falando português claro: o outro nome para "leitores sensíveis" é censores. Então para um filme ou programa ser válido precisa parecer um rodízio étnico e sexual? Se não tiver o negro, o trans, o homo, a lésbica, o enrustido, o índio e a torradeira que fala e curte filmes pornô não pode? Essa gente precisa ser combatida e derrotada na marra, senão as próximas gerações serão compostas por malucos que fazem sexo com pés de soja e ainda acham normal. É preciso ter noção de que essa coleira ideológica é resultado de anos de estupro educacional que os jovens sofrem nas escolas e através da TV e grande imprensa e que é preciso agir já, tanto para não permitir que esse totalitarismo "do bem" vire uma ditadura do politicamente correto, quanto para salvar as gerações futuras desse desarranjo mental. E a melhor maneira disso é frustrando suas pretensões de ditadorezinhos da sinalização da virtude, que no fundo só fazem barulho e impressionam pela gritaria. Se você não é vendedor de vanilla latte, leite de soja e glitter, provavelmente o máximo que eles vão fazer é berrar contra você, já que não são consumidores de nada que tenha para oferecer. Quem banca mesmo são os pais.
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