terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Chama o traficante

Li a manchete: "traficantes de Macaé proíbem o uso de maconha na rua" e no ato pensei: parece que atualmente os traficantes têm mais noção do que os universitários do DCE.
Ande em qualquer bairro de classe média alta do Brasil e você correrá o risco de esbarrar com um de seus típicos habitantes: o maconheiro beleza.
Vai estar passeando com o cachorrinho, sentado num canteiro conversando com amigos ou simplesmente caminhando ouvindo música nos seus earpods enquanto banca uma chaminé rastafari.
Não me entenda mal: não acredito que a criminalização do uso recreativo da maconha contribua com a sociedade, penso que alguma solução intermediária entre a proibição e o libera geral deveria ser buscada, mas acredito muito que o incentivo ao uso do bom senso contribui bastante.
Tudo tem hora e lugar.
Nunca achei bonito aqueles sujeitos que tomam porre em festa infantil e ficam dançando em cima dos docinhos como se fosse um queijo de boate de strip. Assim como sempre achei inconvenientes aqueles fumantes que baforavam em ambientes fechados, deixando todo mundo com cheiro de cinzeiro.
Nenhuma das duas práticas - beber e fumar cigarros - é proibida, mas supõe-se que a pessoa utilize do bom senso para fazê-las.
O cara teoricamente até poderia passear com o cachorro, conversar com amigos e ouvir música fumando a maconha dele, mas pra que soprar aquilo no poodle da vizinha? Por que fumar sentado num canteiro na frente de uma escola?
Lembro quando fiz faculdade. Várias pessoas curtiam fumar seu baseadinho, mas se um professor passasse, ainda que o professor fosse o maior maconheiro, elas escondiam o cigarrão, até para manter o respeito.
Hoje os jovens não querem apenas fumar maconha, mas sentar na sala de aula - onde é proibido até cigarro normal - e ficar ali dando uns tapas enquanto o professor explica alguma lei universal ou teoria. Querem fumar no batizado do primo, no casamento da irmã, no velório do tio-avô.
Aí precisa chegar um traficante e botar ordem na casa.
Olha a que ponto chegamos.
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