quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Coerência não dá samba

Carnaval é a festa que faz as pessoas esquecerem a realidade, é quando alegorias e adereços desfilam pela avenida fazendo um show ilusionista.
Agora me diga se desconexão com a realidade e ilusionismo não é a cara da esquerda?
Não é à toa que resolveram adotar a Paraíso do Tuiuti, pequena escola do bairro carioca de São Cristóvão, como sua queridinha, tudo por causa de um figurante fantasiado de Michel Temer vampiro e de uma ala ironizando os brasileiros que protestaram contra o governo corrupto de Dilma Rousseff e do PT.
Note que, para a escola comandada - e o termo é esse mesmo - por Renato "Thor", um sujeito que anda com um bracelete de ouro que pagaria muitas bolsas família, a roubalheira na Petrobras, na Caixa, nos Correios, no BNDES e demais estatais, a quadrilha de empreiteiras que davam de mamar para o PT, fora o resto, nada disso é problema.
Problema mesmo é a dona de casa de classe média que bateu panela durante o Jornal Nacional.
Mas onde estou com a cabeça falando em grandes questões nacionais?
A escola de samba de Renato "Thor" falou mal da flexibilização da CLT em seu desfile-militante mas só possui três, isso mesmo, TRÊS funcionários com carteira assinada. O resto da moçada da quadra e do barracão vai na base da "exploração" mesmo.
E o que dizer de abrir o cortejo falando da escravidão, injustiças, corrupção e até hoje se recusar a prestar assistência para as vítimas do carro alegórico da escola que atropelou 20 pessoas, deixando uma delas morta?
Segundo a filha da vítima fatal, a agremiação até hoje não indenizou nem mesmo a família da mulher que matou.
A Paraíso do Tuiuti não fez desfile de protesto, mas uma propaganda partidária, uma panfletagem ideológica.
Sabendo que a esquerda está pronta a adotar qualquer um que abane o rabo para ela, independente do tipo de sujeira que tenha feito ou da natureza medíocre que possua - péssimos cantores viram "cantoras transsexuais", artistas medíocres viram astros, cretinos fundamentais viram gênios, bastando para isso se ajoelhar para a cartilha - correu para o abraço e bancou a justiceira social fazendo crítica consciente. Tudo ilusão, claro.
A moral da história é: mate uma pessoa com um carro alegórico, não assuma a responsabilidade e reclame das injustiças do mundo, faça um enredo sobre direitos trabalhistas e não assine a carteira de ninguém, fale mal do Temer esquecendo quem colocou o Temer de vice, ofenda milhões de pessoas que foram às ruas protestar de acordo com suas consciências e vire a "campeã do povo" da esquerda.
Coerência, pelo visto, também não dá samba.
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