domingo, 25 de fevereiro de 2018

O que Donald Trump provavelmente diria a Jair Bolsonaro neste momento

De: trump@maga.us
Para: jair@bolsonaro.br
Grande Jair, Tudo bom?
Escrevo esta carta com a melhor das intenções, já que acredito que um movimento semelhante ao que me levou à presidência dos Estados Unidos seria muito bom para o Brasil.
Não sei se você sabe, mas eu também tive uma formação militar. Quando era jovem, dava umas fugidinhas até Manhattan sem o consentimento dos meus pais, que me matricularam na Academia Militar de Nova Iorque, onde esperavam que eu aprendesse alguma disciplina.
Confesso que não sou chegado à rígida disciplina militar, mas não é por causa disso que não imponho alguma ordem em tudo o que faço. Não é à toa que peguei um milhão de dólares emprestados com o meu pai e, décadas depois, minha fortuna podia ser contada na casa dos bilhões.
Virei celebridade na TV, dono de resorts, casinos e campos de golf, mas um dia, ao ver que o então presidente Barack Obama debochava de mim durante um jantar para correspondentes, entendi que nem todo o dinheiro do mundo me daria o poder e a influência de um presidente dos Estados Unidos.
Resolvi que o emprego mais poderoso do mundo seria meu e, como tudo o que faço, mergulhei de cabeça nesta empreitada. Trataram minha candidatura como uma excentricidade, como um mero fenômeno da internet (soa familiar?) e disseram que eu jamais teria chance de chegar até a eleição (olha mais uma coincidência).
Todos, um a um e sem exceção, quebraram a cara. Hoje o emprego é meu e o choro é livre.
Só que decidir concorrer é a parte fácil. Montar uma campanha, gerenciá-la e estar na frente no momento da contagem dos votos é a parte complicada. Montei uma estrutura enxuta para padrões das campanhas no meu país e gastando metade do que a minha oponente torrou consegui pulverizar sua vantagem nos estados que contavam.
Mas para isso aprendi com alguns erros, troquei o staff da campanha quantas vezes precisou, demiti assessores indesejáveis, aprendi com o mau desempenho no primeiro debate e me preparei com afinco para o segundo (no qual destrocei a Sra. Clinton) e mantive o foco na minha mensagem.
Nada seria capaz de me distrair, de me tirar da defesa das minhas propostas de campanha e, acima de tudo, de me afastar do meu eleitorado. E para isso é preciso estar em vários lugares ao mesmo tempo.
Não se engane: todo esse caos que parecia me rodear na campanha e também neste meu primeiro ano na Casa Branca é só aparência mesmo. Existe um método em tudo que faço e lembrar do porquê comecei tudo sempre ajuda a manter o olhar no horizonte e não me perder em miudezas.
Sua campanha no Brasil começou assim como a minha. Um movimento popular, de base e de pessoas cansadas da política tradicional. Aqui elas também se juntavam e me recebiam em ginásios e hangares de aeroportos, pagavam outdoors e anúncios na TV (nossa legislação permite) e carregavam meu nome para todo canto.
Só não se esqueça: essa gente, que deseja te ajudar, também precisa ser ajudada.
Comece a pensar que você pode estar a apenas alguns meses de exercer o cargo mais importante do seu país. Monte um time, organize sua campanha, estabeleça funções, não permita que sua mensagem se dissipe em inutilidades, se livre de qualquer um ou qualquer coisa que faça peso, se prepare muito (conselheiros são um pé no saco, mas ajudam a melhorar nossa postura e assim disseminar melhor nossa mensagem) e aprenda mais e mais a cada dia.
Lembre-se sempre que tem muita gente não só contando com você, mas trabalhando, de graça, por você, apenas por amor ao país e por acreditar no que você representa.
Algo assim é inestimável e poucos políticos podem contar com isso. Aqui mesmo, somente o Barack (que anda chateado porque o contrariei e venci a eleição) e eu. No seu país, nem o Lula, que possui tantos apoiadores quanto sindicatos possuem filiados.
Se conselho fosse bom, eu como empresário de sucesso venderia, mas nesse caso ofereço de graça para você: não perca essa oportunidade. E se você não montar a melhor máquina de campanha e não se preparar para dar o melhor de você, infelizmente ela pode passar.
Meu pagamento? Te encontrar um dia numa reunião de líderes e poder trollar o Obama dizendo que você, Jair, é que é o cara.
Um forte abraço, my man,
Donald.
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