quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Os afro-warriors

Um cidadão resolveu fazer um alerta no Twitter para todos os negros como ele: evitem assistir o filme "Pantera Negra" dublado, porque todos os dubladores são brancos.
Por mais absurdo que possa parecer, teve gente apoiando a idéia, inclusive aquele site apaniguado do PT, o "Mídia Ninja" (que curiosamente não é propriedade de japoneses ou descendentes).
Observo aqui e ali essa tendência à transformação do combate ao racismo em guerra racial. Não vou falar em racismo reverso porque isso realmente não existe, só existe racismo. E um branco, um negro ou um oriental podem ser racistas igualmente.
São jovens negros "empoderados" por uma educação tão precária quanto ideológica ofendendo pessoas de etnias diferentes na internet e até mesmo outros negros.
- Palmiteiro! - dizem para negros e negras que se relacionam com brancos.
- Capitão do mato! - urram para outros negros que não seguem sua cartilha.
- Branco azedo! Branco fazendo branquice! Branquelo! - vomitam para quem ousa contrariá-los.
Fora a estupidez mastodôndica da tal "apropriação cultural", como se tranças, turbantes ou tambores - todos presentes em outras culturas como a viking, a árabe e a oriental - fossem exclusividade de africanos e seus descendentes.
Mais curioso ainda é que este tipo de coisa - "sai pra lá, branco, isso aqui é coisa de negro" - é defendida por quem chama o presidente americano Donald Trump de "racista" e "xenófobo" e por quem prontamente acusa de "racismo" qualquer pessoa que exalte uma origem ancestral que não seja africana.
O filme "Pantera Negra" fatalmente despertaria tais sentimentos. Já teve gente dizendo que "brancos nem deveriam assistir", porque "o filme não foi feito para eles".
Imagina o absurdo se resolvem que existem invenções ou manifestações artísticas "exclusivas" de uma "raça"?
Somente nordestinos poderiam assistir ao "Pagador de Promessas". Italianos e seus descendentes, "O Poderoso Chefão". E só smurfs poderiam assistir "Avatar".
No filme "White man's burden", estrelado por John Travolta, uma sociedade é mostrada com "sinal trocado" e negros "oprimem" brancos. O filme é exagerado, mas sempre achei que fosse uma espécie de alerta sobre o racismo, uma forma alegórica de mostrar uma realidade e, através do choque, conscientizar as pessoas.
Mas pelo comportamento desses "movimentos afro" de hoje, começo a achar que não era um alerta, mas um desejo.
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