segunda-feira, 5 de março de 2018

2018 pode fazer muita gente quebrar a cara

Tempo de TV, apoio partidário, capilaridade e alianças são importantes? São. Resolvem o problema sozinhas? Não mesmo.

A afirmação que tomou conta da análise política nesse início de 2018 decreta que, uma vez iniciada a campanha de verdade e a máquina governamental e partidária for colocada em movimento, a candidatura de Jair Bolsonaro será moída e triturada.

A experiência mostra que os que acreditam nessa tese não estão totalmente errados e nem são necessariamente mal intencionados - ainda que muitos sejam ambos - porém convém lembrar que este não é um ano como qualquer outro.

O sistema político está falido, as instituições desacreditadas, os partidos nunca estiveram tão desacreditados, mesmo para níveis brasileiros, e as maiores lideranças políticas do país são investigações criminais, denúncias, inquéritos e condenações ambulantes.

O PSDB, que sempre herdou por inércia os votos anti-PT, perdeu o protagonismo e se vê às voltas com líderes encrencados nas páginas policiais ou então sem carisma e arrastando as correntes de décadas em cargos eletivos.

O PMDB é o que sempre foi: um condomínio de políticos de matizes ideológicas e éticas completamente díspares, que se dedica a comercializar tempo de TV, controlar prefeituras e governos estaduais, além de montar uma base no Congresso que o coloque na condição de atacadista no mercado de votos.

A esquerda se divide em criminosos condenados, lunáticos irrecuperáveis e chefes de bandos proto-terroristas que assustam qualquer um que não considere a Marilena Chauí uma reencarnação feminina de Aristóteles.

Dito isto, e passando aos nomes, muita gente boa acha que uma chapa Alckmin-Meirelles, com o apoio do PMDB e do DEM seria imbatível, pois uniria experiência, um aceno ao mercado e uma estrutura partidária que, para quem vê de fora, parece um Bulldozer.

Mas para quem anda animadinho achando que tempo de TV e estrutura partidária são tudo (são muito, mas não tudo), trago más notícias.

Na primeira eleição pós-redemocratização, o candidato do PMDB, Ulysses Guimarães, contava com nada menos do que 22 minutos diários na TV. Seu partido possuía maioria nas duas casas do Congresso, 22 dos 23 governadores de então e uma infinidade de prefeituras.

Com tudo isso conseguiu apenas 4,73% dos votos, ficando na sétima colocação.

O país também tinha um governo altamente impopular e o espírito das ruas era o mesmo de 2018: mudança. É por isso que as chaves analíticas aplicadas de 1994 até aqui podem fazer muita gente quebrar a cara. 

Se tem um ano perigoso para quem planeja montar alianças heterodoxas, expor prontuários num palanque e apelar para marqueteiros que convençam o eleitor de que "mais do mesmo" é melhor do que qualquer outra coisa, esse ano é 2018.

Está tudo muito no início, mas tem muita gente que pode estar perto do fim.
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