sexta-feira, 16 de março de 2018

A esquerda não respeita nem os seus

Por questão de respeito resolvi esperar pelo menos um dia para dizer qualquer coisa sobre a vereadora do Rio de Janeiro, morta  por bandidos na quarta-feira, 14 de março. 

Respeito que, aliás, seus próprios companheiros de partido não tiveram, correndo para montar um showmício onde seria o velório e um palanque sobre o seu ataúde.

A moça nem bem tinha sido executada barbaramente e já pululavam nas redes sociais manifestações de políticos, militantes, artistas, jornalistas e sub-celebridades de esquerda, todos acusando os "coxinhas paneleiros", o "golpe" ou a "intervenção" por terem assassinado uma "mulher, negra, favelada, etc.", como se o sexo, a cor da pele ou o local de origem fizessem diferença.

Mas, pensando bem, fazem sim. Policiais vem sendo mortos no Rio de Janeiro como se estivessem na Síria, pessoas são vitimadas diariamente pelos mais variados e aterradores tipos de crimes. Nessa semana mesmo, em que morreu a vereadora, um vídeo mostra o desespero de uma criança de 5 anos ao ver seu pai sendo assassinado na sua frente.

Não houve por eles nenhum pranto da imprensa, da UNICEF, da OAB, de presidentes e ministros de tribunais, de celebridades ou qualquer outro membro desta récua que habita o assim chamado "andar de cima" do país.

Partidos e jornais que chamam um estuprador pego no ato, em cima da vítima, de "suspeito", prontamente apontam dedos e concluem o que houve com a política do PSOL. Políticos de esquerda, sempre contra penas mais severas, contra a redução da maioridade penal, contra um endurecimento no combate ao crime, agora pedem "punição exemplar".

Nenhum "suposto", tudo muito definitivo. Em menos de 24 horas.

Quem dera essa justa indignação investigatória e punitiva estivesse aqui para desvendar o assassinato dos prefeitos Celso Daniel e Toninho do PT ou para lidar com os monstros que mataram Liana Friedenbach e Felipe Caffé.

Quem dera essa disposição para tratar criminoso como tal já existisse horas antes do crime que matou a vereadora do PSOL, quando o jornal El País estampou em suas páginas uma entrevista na qual o traficante e assassino Nem da Rocinha, com pose de especialista, oferecia conselhos à sociedade sobre como lidar com a bandidagem e a política em relação às drogas.

Quem quiser investigar mesmo o que aconteceu, deve ficar ciente de que não se faz campanha em nenhuma favela do Rio de Janeiro sem a autorização dos traficantes. Investiguem a polícia sim, mas verifiquem também, só para não dizer que já tem um culpado escolhido previamente, de onde vinham autorizações e financiamentos para a campanha do PSOL na Maré. Não custa aparar todas as arestas.

Finalizando, a esquerda, já combalida eleitoralmente, precisava de um cadáver. Ninguém é tão especialista em subir nos mortos para olhar o mundo de cima quanto eles.

O que fizeram com essa moça, transformando sua tragédia e a da sua família em comício, não é só lamentável, mas asqueroso.

Esse caso prova que estamos lidando com psicopatas. A esquerda não foi capaz de conceder 24 horas de respeito antes de fazer proselitismo político. Não conseguiram respeitar nem um dos seus, já que não respeitam e nem se importam com mais ninguém. Essa gente é perigosa e ruim na sua essência.

Esta é a nossa maior tragédia.
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