quarta-feira, 4 de abril de 2018

Não existe democracia com impunidade

Vejo muita gente preocupada com as palavras do comandante do exército, general Villas Boas, dizendo que a instituição está ao lado do cidadão contra a impunidade.

Alguns chamaram de ameaça, outros mais exaltados o trataram por "generaleco", petistas falam em golpe militar e fascismo e entusiastas de uma intervenção comemoram como se esta fosse algo iminente.

Não é, mas uma comoção ou caos social podem levar a isso. Mas comoção e caos não brotam do chão, são construções erguidas com esmero.

Quando algum especialista, político morno, jornalista de esquerda, militante profissional, analista de diagnóstico pronto, etc., fala em "instituições", estas não são - ao contrário do que fazem parecer - coisas dadas, quase divinas.

A crença nas instituições é uma adesão voluntária e pessoal de cada cidadão, que entende, se for o caso, que fazer isso é melhor para a sua vida e para o lugar onde vive.

Num país onde a punição só atinge até um determinado padrão de renda e poder, onde a única coisa que funciona como um relógio suíço é a cobrança de impostos, onde o deboche, o escárnio e o teatro barato são a tônica da atuação política, com um supremo tribunal que age como escritório de advocacia para quem tem influência, essa crença nas instituições torna-se quase impossível.

Que cidadão pode respeitar um sujeito que solta - por três vezes seguidas - seu compadre? Um advogado do PT instalado no STF? Um ministério repleto de nulidades e prontuários? Pronunciamentos que terminam com frases como "vossa excelência é um marginal"? Um parlamento no qual a imensa maioria pode chamar um ao outro de "ladrão" e todos terão razão?

Não são as pessoas desesperadas que pedem intervenção militar ou esperam um "salvador da pátria" que ameaçam a democracia. É o estado de caos e esculhambação que as tais instituições jogaram o país, e que causaram esse desespero, que a estão matando. 

Não existe democracia com impunidade. E a democracia brasileira hoje, na forma como é exercida, é um cadáver insepulto, um zumbi pedindo para levar um tiro ou uma espadada na cabeça.
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