sábado, 4 de agosto de 2018

Por que querem matar o Paulo Guedes?

Em 2010 e 2014, quando a petista Dilma Rousseff foi candidata a Presidência da República, nenhum jornalista parecia se importar com o fato de que um voto nela significaria também um voto em Michel Temer, velho conhecido do velho PMDB. O vice foi tão ignorado durante as campanhas, que os militantes de esquerda aparentemente foram pegos de surpresa quando o pedido de impeachment da presidente foi aceito e eles descobriram que tinham votado nele também.

Digo isso porque é bastante estranha essa obsessão pela saúde – tanto política quanto física – do já apontado Ministro da Economia de um eventual governo Jair Bolsonaro, o economista Paulo Guedes.

Tanto na entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, quando na sabatina da GloboNews, não foi apenas uma pergunta desinteressada, dessas para “encher linguiça”, mas várias e insistentes inquirições sobre “qual é o plano B para o caso do Paulo Guedes adoecer?” ou “O que o presidente Bolsonaro fará caso o Paulo Guedes não esteja mais no governo?”.

Fica a pergunta: o que acontecerá com o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, caso o time de economistas do mercado financeiro reunidos por ele numa equipe resolva que é melhor recolher os dividendos e passar férias num resort no Caribe, ao invés de lidar com contas como, digamos, do dinheiro da merenda escolar? O que aconteceria caso o Ciro Gomes fosse finalmente recolhido a uma instituição e seja lá quem for seu vice assumisse? E se a Marina Silva terminasse a fotossíntese e virasse uma libélula? O Eduardo Jorge seria um bom nome para fumar, quer dizer, conduzir a Presidência? Poderia continuar aqui oferecendo exemplos indefinidamente, mas a idéia não é essa.

A idéia é chamar a atenção para este comportamento cada vez mais bizarro da imprensa, sempre perguntando para o candidato Jair Bolsonaro quais são seus planos A, B e C para o caso do seu ministro da economia “faltar”, enquanto os demais apenas desfiam platitudes formuladas em grupos de foco de pesquisas de mercado e deixam de explicar seus imensos passivos, inclusive criminais, por exemplo.

E agora que parece cada vez mais encaminhado o nome do príncipe Luiz Philippe de Orléans e Bragança para vice na chapa de Bolsonaro, me pergunto qual será a próxima dúvida relevante da imprensa militante do Brasil. Se Jair Bolsonaro renunciar ou sofrer impeachment o vice assume e o país retorna à monarquia? Não ria, eles não conhecem o senso do ridículo.

Deixem o Paulo Guedes viver, minha gente. Façam-me o favor.
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