quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Vocês erraram, admitam logo

Convencionou-se dizer que a facada que levou em Juiz de Fora "salvou" a candidatura de Jair Bolsonaro, que "já vinha caindo" em decorrência dos ataques que sofria. Mas a certeza que eu tenho é que aquela facada que o Bolsonaro levou, salvou a carreira e a reputação de muito analista político.

Desde o início do ano o que se dizia, de forma solene e definitiva, nesta ordem, é que Bolsonaro não conseguiria um partido, não conseguiria a candidatura, não conseguiria passar de um determinado teto e perderia para qualquer um num eventual segundo turno.

Um a um estes "argumentos" foram sendo derrubados e a teoria do teto, entre outras, desabou sobre as cabeças de seus arquitetos.

Hoje a realidade é que o deputado tem vaga no segundo turno e todos os que preconizaram sua queda desde janeiro erraram. Erraram feio porque, de suas torres de marfim, não conseguiram captar o movimento que acontecia nas ruas, no meio do populacho que pretendem guiar com suas mentes iluminadas.

Dito isto, alguns se dedicaram à campanha aberta, mentindo, espalhando fake news, repassando narrativas dos adversários, vale tudo. Não se iluda: a imprensa prefere o PT ao Bolsonaro, simplesmente porque o PT dá lucro.

Os demais, que ainda pretendem sustentar a máscara da isenção por algum tempo, dedicam-se à duas atividades: cuspir 20 teorias por minuto, para ver se acerta uma e "provocar" eleitores do Bolsonaro para caçar cliques e bater a meta.

Mas a verdade é apenas uma: vocês erraram, admitam.

Ainda que aquela facada tenha oferecido um excelente bote salva-vidas para tirar suas reputações desse Titanic.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

O fim do baile de máscaras

Falei aqui outro dia e repito: não existe análise política isenta. Simplesmente não existe.

É impossível despir-se de todos os conceitos na hora de falar sobre algo que diz respeito à sua vida e ao futuro dos seus filhos e netos. Quem afirma que faz isso é cínico, pilantra ou se engana.

A reta final de qualquer campanha eleitoral é frenética, mas neste curioso ano de 2018, frenético é tudo o que aqueles que desejam alguma paz gostariam que ela fosse. Este ano tudo é mais, tudo beira simplesmente o insuportável e, justamente por isso, máscaras vão caindo, como que seus portadores desejassem respirar melhor.

Começamos com o deputado Bolsonaro sem partido. Riam e o chamavam de "sem-teto", até que aplicou um passa-moleque num DCE metido a think-tank chamado "Livres" e aportou no PSL.

Em janeiro/fevereiro o deputado estava rondando os 15% nas pesquisas. "Vai cair assim que o carnaval passar e o povo começar a pensar política a sério", diziam nossos analistas embasados, estivados.

O reinado de Momo passou e Bolsonaro já roçava os 18%. Calma, diziam, menos para o público - que estava calmíssimo - e mais para si próprios, assim que a pré-campanha tomar corpo, ele desidrata.

Os meses passaram e os 20% já eram uma realidade. Mas nada disso importava, porque assim que as coligações se formassem, a realidade iria se impor e Bolsonaro encontraria seu "teto".

Seria a "máquina", a "estrutura", as prefeituras, os diretórios, a "capilaridade", qualquer coisa, mas fatalmente aquele aventureiro seria reduzido ao patamar de um Pastor Everaldo ou Cabo Daciolo, e o esquemão conduziria a eleição como sempre: o duelo de fancaria entre os azuis emplumados e os vermelhos enraivecidos.

Só tinha um porém: o eleitor.

O "teto" saiu dos 20% e começou a se aproximar dos 25%, quando a facada já histórica de um terrorista de esquerda embolou tudo.

A primeira "narrativa" dos sabes-tudo previa uma ascensão meteórica no rastro de uma onda de solidariedade e um tombo monumental, assim que a onda passasse. Não veio a "super-ascensão".

Opa! Aí está o teto que nem a facada furou!

Nada. Erraram de novo e, assim como vem ocorrendo desde janeiro, a candidatura de Bolsonaro vem crescendo de forma lenta, constante, impávida. Quem entra no seu "bonde" parece que não descer mais (78% de certeza entre seus eleitores comprova isso) e os que ainda observam tudo pelo caminho vão subindo aos poucos.

Chegamos a 20 dias do pleito com ele já ultrapassando os 30% e dois fatos curiosos: o Ibope resolveu só testar opções de segundo turno envolvendo o nome do Bolsonaro e consultorias começam a analisar uma ainda "improvável" vitória já no primeiro turno.

Convenhamos que para alguém que seria "devolvido à sua merecida insignificância" pelos "profissionais" (Alckmin, Dias, Ciro, Lula), ele foi até longe demais. E não é só isso: seja qual for o resultado, um deputado de "baixo clero" sairá dessa eleição com um partido, uma boa bancada, estrutura e um movimento nacional jamais antes visto no Brasil. 

Só que o eleitor, cansado do esquemão e seus "cientistas políticos" o dizendo o que fazer, quer mais.

E Bolsonaro segue crescendo. Daí que a "análise isenta e imparcial" virou torcida, conselho aos seus adversários, pedidos encarecidos para que o eleitor mude de ideia, fake news variadas e uma constante hostilidade contra essa "gentalha" que cisma em "não ouvir quem entende".

"Os xucros, burros, fascistas, mal educados, fofoqueiros, etc.". Essa gente que, ao que parece, vai eleger o Bolsonaro presidente caso nenhuma fraude ou armação atrapalhe o que parece ser o curso dessa história.

Por isso vocês até podem achar ruim, mas eu acho auspicioso que vários "analistas independentes" que apenas "listam fatos e analisam conjunturas", sempre "sem paixão", estejam se entregando de corpo e alma ao coscuvilho politiqueiro nestes dias.

Ninguém está traindo nada, eles nunca foram isentos porcaria nenhuma, isso não existe, apenas as máscaras estão caindo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Esquinas que desaparecem


Um dos muitos marcos do Rio de Janeiro, assim como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar  ou a praia de Copacabana, é a esquina.

Carioca adora uma esquina, essa curva urbanística onde ruas e pessoas se encontram.

Bares, padarias, lojas, lanchonetes ou apenas pontos de referência, uma a uma estão sumindo no meio da crise que dissolve a cidade como sal de fruta jogado num copo d'água para tratar a ressaca de anos de festa desregrada, gastança inconsequente e desprezo pelo futuro. 

E no lugar de vibrantes esquinas, com o vai-e-vem e o burburinho característico das cidades que vivem, calçadas cheias de moradores de rua, janelas escondidas por tapumes, marquises abandonadas e a melancolia de ajuntamentos urbanos que apenas existem. 

Menos uma butique aqui, uma sorveteria ali, um restaurante mais adiante, um cinema de rua lá longe, e o Rio de Janeiro vai se tornando o retrato exato das suas próprias escolhas. 

domingo, 16 de setembro de 2018

O isentão é um desonesto

Não existe análise política isenta. Ponto.

Quem te disser que faz isso não é necessariamente um pilantra, mas está se enganando e te enganando.

Toda análise política tem lado e o quanto antes o cidadão entenda e assuma isso, menos ele faz papel de ridículo e precisa viver se explicando.

O que diferencia um analista sério de um malandro é a admissão de seu lado, até para que o leitor possa dar o peso que preferir ao que está dito.

E o que diferencia um analista sério que admite seu lado, de um mero cabo eleitoral ou fanboy, é saber criticar o que deve.

Isenção de fato em relação ao que você diz sobre o grupo político que apoia é isso: quando erram, diga que erraram, muito porque você vai preferir que acertem logo.

Quando acertarem, esmiúce os acertos, para que aprenda com eles e acumule bagagem para o futuro.

Mas não banque o isento, falando coisas "sem paixão", porque isso não existe.

Você apenas fica ridículo interpretando esse papel que nem um canastrão de novela.

Não se iluda: todos percebem, só você acha que engana alguém.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

É proibido, mas se quiser pode

O Congresso se reúne e decide que condenado em 2ª instância não pode ser candidato. O presidente sanciona e lá está a lei: condenado em 2ª instância não pode ser candidato. O que acontece em qualquer país normal? Simples: condenado em 2ª instância não pode ser candidato. No Brasil o STF precisa se reunir para decidir se vale.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Ainda sobre o Museu Nacional


Reitor: filiado ao PSOL.
Vice: ao PSOL.
Pró-reitor de graduação: ao PCB.
Pró-reitor de planejamento: ao PCdoB.
Pró-reitora de extensão: ao PSOL.
Pró-reitor de pessoal: ao PSOL.
Decano do CCJE: ao PSOL.
Parabéns pelo excelente trabalho!


Duas tragédias do Museu Nacional (e do Brasil)



Como toda boa federal, o aluno já fica para o mestrado, doutorado, passa no concursinho e só sai dali aposentado. A tragédia do museu é uma coisa, a tragédia dessa usina de funças é outra.

domingo, 2 de setembro de 2018

Observem bem estas três fotos




São do Palácio Universitário, do Canecão e doMuseu Nacional. O que os três tem em comum? Todos administrados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mas as federais são muito importantes e não podemos privatizar, tá?

O ex-Doria

Situação cabulosa é a do Doria. De prefeito popular em 2017 para alguém que pode se afogar abraçado ao Alckmin, ficando sem prefeitura e nem governo do Estado. Entrou no foguetinho do Sílvio Santos com uma Monark e vai sair com uma esponja de lavar loucas.

O ex-Aécio

Há quatro anos o cara quase foi eleito Presidente da República, saiu como líder de uma oposição energizada. Hoje corre, em eventos quase clandestinos, atrás de imunidade parlamentar, que é a maior ambição que pode ter.

A presidência-presídio

Imaginem a situação: por uma miséria total da história o Haddad se elege. O Brasil teria 2 situações: - Um presidente que só foi eleito para servir de serrote escondido no pão para soltar um presidiário. - Um presidente que tem que ir de 2 em 2 dias na cadeia encontrar o chefe.