terça-feira, 18 de setembro de 2018

O fim do baile de máscaras

Falei aqui outro dia e repito: não existe análise política isenta. Simplesmente não existe.

É impossível despir-se de todos os conceitos na hora de falar sobre algo que diz respeito à sua vida e ao futuro dos seus filhos e netos. Quem afirma que faz isso é cínico, pilantra ou se engana.

A reta final de qualquer campanha eleitoral é frenética, mas neste curioso ano de 2018, frenético é tudo o que aqueles que desejam alguma paz gostariam que ela fosse. Este ano tudo é mais, tudo beira simplesmente o insuportável e, justamente por isso, máscaras vão caindo, como que seus portadores desejassem respirar melhor.

Começamos com o deputado Bolsonaro sem partido. Riam e o chamavam de "sem-teto", até que aplicou um passa-moleque num DCE metido a think-tank chamado "Livres" e aportou no PSL.

Em janeiro/fevereiro o deputado estava rondando os 15% nas pesquisas. "Vai cair assim que o carnaval passar e o povo começar a pensar política a sério", diziam nossos analistas embasados, estivados.

O reinado de Momo passou e Bolsonaro já roçava os 18%. Calma, diziam, menos para o público - que estava calmíssimo - e mais para si próprios, assim que a pré-campanha tomar corpo, ele desidrata.

Os meses passaram e os 20% já eram uma realidade. Mas nada disso importava, porque assim que as coligações se formassem, a realidade iria se impor e Bolsonaro encontraria seu "teto".

Seria a "máquina", a "estrutura", as prefeituras, os diretórios, a "capilaridade", qualquer coisa, mas fatalmente aquele aventureiro seria reduzido ao patamar de um Pastor Everaldo ou Cabo Daciolo, e o esquemão conduziria a eleição como sempre: o duelo de fancaria entre os azuis emplumados e os vermelhos enraivecidos.

Só tinha um porém: o eleitor.

O "teto" saiu dos 20% e começou a se aproximar dos 25%, quando a facada já histórica de um terrorista de esquerda embolou tudo.

A primeira "narrativa" dos sabes-tudo previa uma ascensão meteórica no rastro de uma onda de solidariedade e um tombo monumental, assim que a onda passasse. Não veio a "super-ascensão".

Opa! Aí está o teto que nem a facada furou!

Nada. Erraram de novo e, assim como vem ocorrendo desde janeiro, a candidatura de Bolsonaro vem crescendo de forma lenta, constante, impávida. Quem entra no seu "bonde" parece que não descer mais (78% de certeza entre seus eleitores comprova isso) e os que ainda observam tudo pelo caminho vão subindo aos poucos.

Chegamos a 20 dias do pleito com ele já ultrapassando os 30% e dois fatos curiosos: o Ibope resolveu só testar opções de segundo turno envolvendo o nome do Bolsonaro e consultorias começam a analisar uma ainda "improvável" vitória já no primeiro turno.

Convenhamos que para alguém que seria "devolvido à sua merecida insignificância" pelos "profissionais" (Alckmin, Dias, Ciro, Lula), ele foi até longe demais. E não é só isso: seja qual for o resultado, um deputado de "baixo clero" sairá dessa eleição com um partido, uma boa bancada, estrutura e um movimento nacional jamais antes visto no Brasil. 

Só que o eleitor, cansado do esquemão e seus "cientistas políticos" o dizendo o que fazer, quer mais.

E Bolsonaro segue crescendo. Daí que a "análise isenta e imparcial" virou torcida, conselho aos seus adversários, pedidos encarecidos para que o eleitor mude de ideia, fake news variadas e uma constante hostilidade contra essa "gentalha" que cisma em "não ouvir quem entende".

"Os xucros, burros, fascistas, mal educados, fofoqueiros, etc.". Essa gente que, ao que parece, vai eleger o Bolsonaro presidente caso nenhuma fraude ou armação atrapalhe o que parece ser o curso dessa história.

Por isso vocês até podem achar ruim, mas eu acho auspicioso que vários "analistas independentes" que apenas "listam fatos e analisam conjunturas", sempre "sem paixão", estejam se entregando de corpo e alma ao coscuvilho politiqueiro nestes dias.

Ninguém está traindo nada, eles nunca foram isentos porcaria nenhuma, isso não existe, apenas as máscaras estão caindo.
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