segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Esquinas que desaparecem


Um dos muitos marcos do Rio de Janeiro, assim como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar  ou a praia de Copacabana, é a esquina.

Carioca adora uma esquina, essa curva urbanística onde ruas e pessoas se encontram.

Bares, padarias, lojas, lanchonetes ou apenas pontos de referência, uma a uma estão sumindo no meio da crise que dissolve a cidade como sal de fruta jogado num copo d'água para tratar a ressaca de anos de festa desregrada, gastança inconsequente e desprezo pelo futuro. 

E no lugar de vibrantes esquinas, com o vai-e-vem e o burburinho característico das cidades que vivem, calçadas cheias de moradores de rua, janelas escondidas por tapumes, marquises abandonadas e a melancolia de ajuntamentos urbanos que apenas existem. 

Menos uma butique aqui, uma sorveteria ali, um restaurante mais adiante, um cinema de rua lá longe, e o Rio de Janeiro vai se tornando o retrato exato das suas próprias escolhas. 
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